Retrômobilismo#21: O belo e raríssimo Willys Interlagos veio das pistas para as ruas!


A Willys como você já deve saber, começou a operar por aqui em 1956 junto com a Romi. Mas um dos modelos menos conhecidos e um dos mais emblemáticos (e raros) modelos da marca Willys-Overland. O Interlagos surgiu para o Brasil no segundo Salão do Automóvel que acontece em São Paulo que aconteceu em 1961 e vendas a partir de 1962. Por sugestão de um publicitário e jornalista Mauro Salles, o carro foi denominado Interlagos em alusão ao autódromo paulistano. O Willys Interlagos era o mesmo que Alphine A108, que foi lançado em 1956 e durou até 1963 na Europa. O Interlagos era um dos carros mais leves da época, onde sua carroceria era feita de fibra-de-vidro e pesava apenas 535kg na versão berlineta e 570kg na coupé e conversível. Era vendido apenas sob encomenda nas concessionárias da Willys e vinha em 3 tipos de carrocerias: Coupé, Berlineta e Conversível.


Porém o mais conhecido até hoje é a Berlineta e são raros os coupés e conversíveis rodando pelo país. A fábrica de onde saía do Interlagos ficava no bairro paulista do Brás, mas depois mudaria para o bairro Santo Amaro, ambos filiais da Willys, que ficava em São Bernado do Campo, no ABC paulista. Pequeno, o Interlagos media 3,78m de comprimento, 1,45m de altura e 2,10m de entre-eixos. O motor era o mesmo do Dauphine, um 845cc ou um 0.9 que rendia 32cv no coupé e 42cv no conversível e no Berlineta. Além deste tinha o 904cc (0.9) que rendia 56cv de potência e o 998cc ou o Interlagos 1.0 que rendia 70cv (Exclusivo da berlineta). Tinha tração traseiros, câmbio de quatro marchas e suspensão independente nas quatro rodas com molas helicoidais.


O motor mais potente, o 1.0 que rendia 70cv de potência era mais usado nas pistas e acelerava forte como os demais esportivos da época. Ia de 0 à 100km/h em apenas 14,1 segundos e chegava a 160km/h a 6.500rpms. A suspensão usava braços desiguais sobrepostos, mas na traseira o sistema era de semi-eixo oscilante, como o do Fusca, nada adequado ao uso vigoroso. Um problema particular dessa suspensão era a localização longitudinal da roda, que deixava muito a desejar. O design moderno para a época agradava ao público, com linha de cintura baixa e formato arrendado, que anos depois o deixariam parecidos com os Pumas. Na traseira se destacava a grande grade, que era necessária para refrigeração do motor traseiro. O interior é típico de um esportivo. Tinha bancos individuais, volante de 3 raios, bancos mais baixos. O painel tinha conta-giros, mas não mostrava a pressão de temperatura e do óleo.


Competições
Nas competições que aconteciam na época, o Willys Interlagos competia diretamente com os DKW-Vemag na época, especialmente com o Belcar, que era preparado na época. Tudo isso aconteceu em 1962, quando o Interlagos Berlineta era o primeiro a ir para as pistas com motor acima das 700cc. No Brasil o Interlagos venceu provas como a 500 Milhas de Porto Alegre (RS), em 1963; o GP do Estado da Guanabara, a 500 Quilômetros de Interlagos, a 200 Milhas de Montevidéu (Uruguai), todos em 1964. Entre os pilotos, estavam Émerson e Wilson Fittipaldi Jr., Luiz Pereira Bueno, José Carlos Pace, Bird Clemente, Lian Duarte a Antônio Porto Filho.
Fonte: Best Cars


O "abrasileirado" Alphine A108, mais conhecido como Willys Interlagos durou pouco tempo no Brasil. Lançado em 1962, o Interlagos durou até 1966, sendo um dos carros que menos duraram na época, e vendeu poucas 822 unidades, onde a maioria era do Berlineta, seguido pelo Coupé e pelo Conversível. Apesar de ser muito bonito na época, o Interlagos que era vendido sobre encomenda não era tão barato quanto modelos mais simples como o Fusca. Além disso na época os consumidores não sabiam muito que tipo de carro queriam, pois a indústria automobilística engatinhava e recém estava crescendo. Hoje é fácil encontrar um Interlagos valendo mais de R$80.000 em bom estado, mostrando que é uma jóia da indústria brasileira.

Fonte: Quatro Rodas

No topo: Interlagos Conversível; No meio: Coupé e abaixo o Berlineta

Comentários

  1. Caro Luis Noal, tive o prazer de conhecer a https://www.conexaoautomotivabr.com/ e gostei muito da matéria sobre os Willys Interlagos, constatei que você postou diversas fotos sobre essa jóia esportiva nacional. Dentre as fotos publicadas constatei com orgulho a presença de imagens de minha autoria do meu Willys Interlagos Berlinette 1967 prata feitas em 1969/70 no Rio de Janeiro, gostaria que você coloque o crédito da autoria da foto ao lado das mesmas, seriam a primeira e a terceira na sequência de leitura..! Desde já agradeço a atenção e parabéns pela matéria..!

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    Respostas
    1. Oi Beto, claro que sim! Só me passa seu nome completo que adiciono os créditos.

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    2. Boa tarde Luis, como lhe falei a foto 1ª e a 3ª fotos são da mesma Berlineta em épocas diferentes, na 1ª ela ainda está com aros 15’ e na 3ª foto vista de cima já com aros de liga/magnésio 13’. Meu nome Paulo Roberto d’Abreu Pereira, Rio de Janeiro, abraços e bom fim de semana!

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  2. Boa tarde Luis, como lhe falei a foto 1ª e a 3ª fotos são da mesma Berlineta em épocas diferentes, na 1ª ela ainda está com aros 15’ e na 3ª foto vista de cima já com aros de liga/magnésio 13’. Meu nome Paulo Roberto d’Abreu Pereira, Rio de Janeiro, abraços!

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