Retrômobilismo #106: primeiro importado do país, Alfa Romeo 164 inaugurou mercado premium no país


Não se sabe muito bem ao certo, qual foi o primeiro importado a chegar ao Brasil, assim que o mercado foi aberto: a Alfa Romeo ou a Lada? Mas isso pouco importa até então. Voltando ao assunto do Alfa Romeo, o 164 chegou ao Brasil inaugurando o segmento de automóveis premium e marcando a volta da marca italiana ao país, que ficou ausente em 1986 quando o 2300 saiu de linha. Agora, Alfa Romeo chegaria ao país apenas como importado. Apresentado no Salão do Automóvel de Frankfurt de 1987, o 164 começou a ser vendido logo em seguida. Produzido em Arese, Itália, as primeiras unidades do sedã começaram a chegar ao país em Agosto de 1990, mas suas vendas se iniciaram apenas em Outubro de 1990. Mais precisamente no dia 30 de Outubro, quando chegou o primeiro lote de 50 unidades ao porto do Rio de Janeiro. Era o primeiro lote de 1.000 que ainda chegariam ao país. Para vende-lo no país, a Fiat optou por fazer apenas uma troca: a dos pneus, que ao chegar aqui ganhariam perfil mais alto, devido as condições do nosso precário asfalto.  Apresentado aos consumidores no Salão do Automóvel de São Paulo, o 164 dividia as atenções com outros importados que também chegariam ao mercado para melhorar nossa indústria, que até então estava defasada.


O Alfa vendido no país vinha com mecânica 3.0 12v V6 que desenvolvia 192cv de potência e torque de 25kgfm, com câmbio manual de 5 marchas, além de trazer novos recursos como suspensão traseira automaticamente regulável e itens de série que o deixavam com status de "carro de patrão". Um dos primeiros automóveis com injeção eletrônica, que havia chegado ao país em 1989 pelo Volkswagen Gol GTi, o 164 acelerava de 0 a 100km/h em 7,7 segundos, com velocidade máxima de 230km/h, desempenho bom para quem pesava 1.310kg. O consumo era mediano, fazendo cerca de 7,8km/l na cidade e cerca de 10,98km/l na estrada. Para melhorar o desempenho, o 164 oferecia freios a disco nas quatro rodas, o sedã tinha bons freios. A suspensão, tanto dianteira como traseira era McPherson e a direção era hidráulica. O volante tinha regulável de altura e distância. Os cintos de segurança também tinha regulagem de três maneiras. Para abrir os vidros, porta-malas e bocal do tanque de combustível, tudo era elétrico, assim como a regulagem dos bancos. O ar-condicionado era digital, item raro na época. Falando em porta-malas, o proprietário poderia ter acesso ao compartimento apenas retirando o descansa-braço.  O preço rondava a casa dos US$135.000 na época com 85% em imposto para importados.





Nas dimensões, o 164 tinha 4,55 metros de comprimento, largura de 1,76 metro, altura de 1,40 metro e entre-eixos de 2,66 metros, com capacidade de tanque de 70 litros e 504 litros no porta-malas. Em 1993 a alíquota de IPI para importados acabou sendo reduzida e o preço do 164 caiu drasticamente. Tanto que ele poderia competir com o Chevrolet Omega na versão CD. Agora era possível comprar um 164 com US$55.000. Naquele ano ele tinha três opcionais: bancos de couro, teto solar elétrico e CD Player. Na linha 1994 ele ganhava para-choque dianteiro e traseiro na cor da carroceria, que lhe conferia um design mais moderno. Em Abril de 1995 seria vez do novo motor. Com quase cinco anos de mercado, o 164 trocava o motor 3.0 12v pelo 3.0 24v, ganhando o apelido de 3.0 24v Super. Com maior performance, o 164 conseguia extrair 210cv de potência e mostrava ainda mais desenvoltura que o antigo motor. Ele acelerava de 0 a 100km/h em 8,1 segundos com velocidade máxima de 240km/h. A injeção eletrônica passava a ser a Bosch Motronic M 1.7, que garantia a mistura de ar com combustível de maneira mais adequada.


Com esse motor, o consumo era de 7,5km/l na cidade e 10,8km/l na estrada. Em Abril de 1995, com a duplicação de válvulas, o preço não ficava 10% mais caro ao custar US$59.950. Além disso, o 164 trazia o sistema antifurto Alfa Romeo Code. Esse sistema não permitia dar o arranque se não fosse com a chave, diminuindo as chances de roubo. Ele funciona com um mecanismo por meio de um código eletrônico, instalado na chave. Cinco anos após sua chegada ao país, o 164 já tinha uma aceitação bem melhor. Com a aceitação, a Alfa Romeo começava a ter suas próprias concessionárias no país. Até então, o 164 tinha assistência técnica em algumas concessionárias da Fiat, o que exigiu um maior investimento da marca. Isso pode ter colaborado para o aumento de preço do sedã, que em Julho de 1995 já custava US$65.480. Em 1998, o 164 já estava se despedindo do mercado brasileiro, ficando a espera do substituto 166, que seria lançado logo em seguida. No Brasil, o 164 não deu certo após a má-fama dos importados acabar acertando em cheio, apesar de nunca ter se envolvido em algum escândalo ou problema.


Desde 1990, o 164 nunca conseguiu bater de frente com o nacional Chevrolet Omega. O italiano, apesar de ter status e requinte, o 164 ficou "queimado" com o custo de peças, que na época era de R$8.740, o dobro do que era cobrado pelo Chevrolet Omega, seu maior rival e de maior sucesso. Segundo dados da revista Quatro Rodas, o 164 vendeu 6.296 unidades desde 1991, sem contar as unidades inciais importadas, que chegaram ao país no segundo semestre de 1990, uma média de 900 unidades por ano e cerca de 75 unidades por mês. Apesar de ter conforto e de tratar bem os passageiros, o 164 pecava no custo, mas ainda assim era um carro top de linha que tinha o poder de virar pescoços quando passava. Não era qualquer um que tinha um 164 na sua garagem. Hoje é possível encontrar algumas unidades por R$18.000 e outras que se encontram em ótimo estado de conservação por até R$30.000.


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