Retrômobilismo #108: Lada Samara, o mais aceitável dos russos vendidos no Brasil na década de 90


Lançado logo em seguida do Laika Sedan, o Samara foi um dos primeiros automóveis compactos que chamavam a atenção do consumidor e um dos únicos "atraentes" dentro do portfólio da Lada no Brasil. Lançado em 1984 na Rússia, o Samara ainda tinha um aspecto bem mais moderno que o trio Laika Sedan, Laika Wagon e Niva. Tidos como eficientes e baratos, os Lada caíram nas graças dos brasileiros, que achavam os russos muito baratos e totalmente diferente a monotonia de Volkswagen, Chevrolet, Fiat e Ford. Nos primeiros comerciais automotivos da Lada na televisão brasileira, a marca russa dizia que se tratava de automóveis fortes e resistes, além de modernos, confortáveis e de manutenção simples. No Samara, um dos pontos altos do sedã eram a visibilidade e o espaço interno. O Samara também era o único que poderia ser vendido com carroceria de 2 ou 4 portas, o que fez dele um sucesso maior dentro da Lada no mercado brasileiro. O Samara também tinha um parentesco com o Volkswagen Passat, que tinha deixado uma legião de fãs em 1988 e ambos tiveram o mesmo projetista, o que pode responder do porquê de ambos terem algumas semelhanças.


Entre as novidades frente aos nacionais estavam no cinto de segurança de três pontos no banco traseiro auto-enrolável, enquanto os bancos eram anatômicos e reclináveis e com apoio de cabeça. O hatch ainda tinha ventilador com três velocidades e opcionalmente poderia ser equipado com teto-solar e ar-condicionado. No quadro de instrumentos, o Samara oferecia velocímetro, termômetro de água, voltímetro, econômetro e medidor de combustível. Os faróis poderiam ser regulados pelo motorista através de um botão no painel. O hatch russo também era o único a vir com duas opções de motores: poderia ser equipado com o motor 1.3 e o 1.5. O primeiro desenvolvia 65cv de potência com torque de 10,5kgfm e o 1.5 entregava 72cv de potência e torque de 12kgfm, com carburador. Mais tarde ainda seria oferecido o motor 1.1 que entregava 56cv de potência, em poucas unidades. Com o motor mais potente, o Samara precisava de 15 segundos para acelerar de 0 a 100km/h. Mas favorecia o consumo. Tanto que na estrada, a Lada dizia que o Samara conseguia alcançar a média de 15km/l. A média era de 12,8km/l. Com o 1.3 era preciso de 16,5 segundos para acelerar de 0 a 100km/h, com velocidade máxima de 143,4kgfm. O consumo médio era de 9,48km/l. O câmbio era sempre manual de 5 marchas, com engates precisos e rápidos.


Na época se elogiou os engates do Samara, que foi até mesmo superior a de alguns nacionais. Sua dirigibilidade também era boa, assim como sua estabilidade. Os freios, servo-assistidos a disco na dianteira e tambor na traseira cumpriam bem o seu papel. Segundo a revista Quatro Rodas, a direção do Samara era leve e com respostas rápidas, mas era mecânica. Com vidros amplos e colunas estreitas, a visibilidade era um ponto forte e favorável para a eliminação de pontos cegos. O revestimento do teto era pré-moldado e os retrovisores externos tinham ajustes internos. No acabamento interno, o Samara oferecia carpete e tapetes como itens de série. Esteticamente o Samara chamava atenção pelos para-barros nos para-lamas traseiros. Entre os opcionais também estavam rodas de liga leve, que deixavam o aspecto mais moderno que as rodas de ferro. O para-brisa traseiro tinha limpador e jatos de água que eram acionados a cada 10 segundos assim que o limpador era acionado. Com motores desenvolvidos em parceria com a Porsche, a Lada não teria problemas com o Samara se não fosse a falta de tropicalização, que afetou algumas unidades em temperaturas mais elevadas, já que na Rússia o clima é mais ameno que o forte verão brasileiro. O porta-malas tinha espaço para 257 litros, mas os bancos traseiros podiam ser rebatidos, tendo um grande porta-malas com apenas essa mudança.


De início o Lada teve sucesso por ser bem mais moderno que os nacionais vendidos por aqui. A versão de entrada, com motor 1.3 e carroceria de duas portas chegava a ser uma covardia compará-lo com os nacionais como Chevrolet Chevette Júnior e Fiat Mille, que não ofereciam nenhum item de série ou algo mais "inovador" como o Lada. Vendido nas versões S e L, o Samara era uma opção interessante ao mercado na época. Suas dimensões eram de 4,00 metros de comprimento, 1,75m de largura e 2,47 metros de entre-eixos. O tanque de combustível tinha 43 litros e o carro pesava apenas 930kg. Em 1992 seu preço era de US$9.025, preços que o deixavam bem competitivo frente aos nacionais, mas ficava atrás de Laika Sedan e Laika Wagon dentro da Lada. Com pretensões de vender 50.000 unidades por ano, a Lada tinha algo interessante, na época, é que foi montado em Barueri, na Grande São Paulo, um centro de operações gigantesco que chamava a atenção de quem trafegava pela rodovia Presidente Castello Branco. Impressionava pelo tamanho e pela quantidade de carros no pátio. Apesar de não se saber ao certo quantas unidades foram vendidas, o Samara foi o russo mais vendido no Brasil. Em cinco anos, foram 70.000 Ladas comercializados no país, sendo 33.000 da família Laika (sedã e station). O Samara possivelmente vender cerca de 25.000 unidades.


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