Retrômobilismo #109: Lada Niva, o russo que abraçou as trilhas brasileiras com bravura


Parece que o tempo não passa para o Lada Niva na Rússia. Pouca coisa mudou desde o seu lançamento. No Brasil, as coisas são parecidas. A maioria das unidades estão bem conservadas pelos trilheiros que tanto o amam. É verdade que o russo abraçou as trilhas brasileiras com o seu Custo/Benefício. O Niva era um jipe de dimensões pequenas, bom ângulo de ataque e saída e tração integral 4x4. O Niva tinha qualidades no asfalto e na terra. No primeiro, era macio e agradável de dirigir para um utilitário. Mas suas aptidões eram mais perceptíveis quando ele ia rumo a lama. Com pneus altos e rodas com aro de 16" polegadas e suspensão com longo curso absorviam todas as irregularidades do terreno. Dentro do russo tinha uma alavanca que acionava o terceiro diferencial que fica bloqueado, transferindo a tração integral igualmente para as quatro rodas, tirando de qualquer sufoco. Entre as qualidades, além da tração integral, estava o diferencial central, um sistema avançado na época e usado somente pelos modelos da inglesa Land Rover. Fora isso, era um dos primeiros fora-de-estrada a utilizar carroceria monobloco. Compacto, o jipe media 3,72 metros de comprimento e tinha 2,20m de entre-eixos, 1,68m de largura e 1,64m de altura. Utilizava rodas de aço aro 16″, pesava 1.190kg e tinha capacidade de carga de 360kg.


O seu motor era um 1.6 8v de carburação dupla a gasolina que desenvolvia 84cv de potência com torque de 12,8kgfm, com câmbio manual de 5 marchas. Com tanque de combustível de 45 litros, tinha média de consumo de 10,2km/l e acelerava de 0 a 100km/h em 23 segundos. A velocidade máxima era de 135km/h. O interior do Niva era simples,mas bastante confortável. O teto tinha revestimento e o vidro traseiro tinha limpadores e antiembaçante. O quadro de instrumentos era completo e tinha conta-giros, pressão de óleo, nível de combustível, velocímetro e termômetro de água. Tinha luz interna de advertência para avisar se o diferencial estava bloqueado ou não. A fama de valente e durável logo pegou entre os trilheiros. Dentro de seu segmento, o Niva se mostrava de longe a melhor relação Custo/Benefício e custava cerca de US$10.040 em 1992. O 4×4 da Lada também recebeu um motor inédito, de 1.7 que rendia 81cv e 12,9kgfm de torque, projetado pela própria marca. Este chegaria ao Brasil em Janeiro de 1995 e há poucas unidades com essa motorização no país. Chegou primeiro na versão 4×4 e logo depois na versão CD, que era mais completa e trazia volante esportivo e caixa desmultiplicada Gemmer.


O jipe também ganhou a versão Pantanal, modificada pela própria marca aqui mesmo e que trazia quebra-mato, bagageiro de teto, frisos laterais e guincho Warn. A primeira ficou no mercado até 1995, e as duas seguintes foram descontinuadas um pouco antes, em 1994. A versão reestilizada na Europa, de 1995, veio em poucas unidades na versão RC. Mas, enquanto a Lada trazia as primeiras unidades da motorização 1.7, a marca russa começava a se despedir lentamente no mercado brasileiro. Saíram de linha o trio Samara, Laika Sedan e Laika Wagon. Apenas o Niva ficava no mercado brasileiro e algumas unidades foram importadas em 1997 e 1998. O Niva é fabricado até hoje na Rússia com mais de 250 alterações desde então. Apesar de ser praticamente o mesmo de 1977, o Niva se tornou um dos ícones da indústria daquele país e conquistou uma legião de fãs no Brasil. Não se sabe quantas unidades foram vendidas aqui, mas estima-se que foram menos de 20.000 unidades. Os motivos pela Lada ter saído no Brasil foram muitos: a alteração na cobrança de imposto de importação em 1995, problemas de qualidade na montagem, tropicalização e adaptação ao nosso combustível, além da forte concorrência de outras marcas, com produtos mais modernos. Havia também problemas de reposição de peças e estoques.


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