McLaren adia desenvolvimento de novos esportivos até voltar a ser lucrativa, diz CEO

McLaren pausa desenvolvimento de novos carros, como o seu primeiro utilitário esportivo, em favor de voltar a lucratividade, diz CEO em entrevista



Desde que a Porsche apresentou o Cayenne em 2002, o mundo das marcas esportivas começou a apostar cada vez mais no segmento até como uma forma de se tornar lucrativa, devido a boa aceitação do mercado aos produtos – curiosamente, o Cayenne salvou a Porsche. E salva outras também. A McLaren busca essa salvação, mas vai ter que adiar os planos com o seu SUV. Não só do utilitário esportivo, mas de todos os projetos que desenvolve. O motivo? A marca quer voltar a ser lucrativa antes de apostar em novos produtos.

Durante entrevista no Festival de Goodwood of Speed, o CEO da McLaren, Michael Leiters, confirmou ao site inglês Autocar que as prioridades da marca serão a sua reorganização "para colocá-la no caminho certo para a lucratividade" antes de apostar em novidades. “Se estivermos no caminho certo para a lucratividade, pensaremos em expandir para todos os segmentos. Chamamos isso de ‘desempenho compartilhado’. Desempenho compartilhado pode ser tudo o que tem mais de duas portas e/ou mais de dois assentos.”, adicionou Leiters na entrevista, dando a entender que a marca pode ter outros produtos além de um SUV.

Ao mesmo tempo, acalmou os entusiastas ao dizer que isso só deve ser retomado em meados de 2028. "Isso é algo em que pensaremos mais tarde. Não tomamos uma decisão sobre isso. É definitivamente uma oportunidade de negócio para nós. Mas não vejo isso num futuro próximo. Se você considerar o que eu disse — recapitalização e depois lucratividade, além do tempo de desenvolvimento [do carro] — isso não acontecerá antes de 2028.", destacou o executivo. Trabalhando na reestruturação interna da empresa, o CEO tem como seu foco trabalhar com acionistas existentes "para recapitalizar a empresa, financiar e reestruturar".

Essa mudança vai permitir um retorno à lucratividade, tendo os acionistas "alinhados com esta visão e plano de negócios". O executivo ainda confirmou que os últimos anos tem sido difíceis em termos financeiros e em capacidade de produção porque essa reestruturação interna também está ligada com mudanças na fábrica de Woking, ou seja, a linha de produção não estava em sua capacidade máxima. Os trabalhos em Woking servem para melhorar a qualidade de construção dos carros como um ponto desta reorganização. Isso pode atrasar a entregas da fila de espera pela Artura, por exemplo.



O 750S também possui uma produção esgotada em mais de um ano de fila de espera. Os dois vão continuar em linha pelo menos até 2028, recebendo atualizações e novas versões. Leiters destaca que existe a possibilidade de crescimento da McLaren como marca não só com superesportivos, mas por meio do volume de produção, preços mais elevados e mais promoções. No futuro, a inglesa comentou que vai desenvolver três tipos de veículos: a combustão pura (ICE), híbridos plug-in (PHEV) e elétricos (BEV). O 750S e o Artura se encaixam nos dois primeiros, enquanto um elétrico deve aparecer nos próximos anos.

Dentro dos próximos cinco anos, a McLaren espera que os híbridos respondam pelo maior volume de produção, possivelmente em cerca de 90% das vendas. Leiters ainda disse em entrevista que "não queria fazer um carro pesando 2.000kg e com 2.000cv, já que qualquer um pode fazer isso. Um elétrico ideal será comparável ao peso de um 750S. Estamos trabalhando em conceitos e temos ideias realmente empolgantes em torno disso, e se com o tempo chegar lá, terá que superar o que podemos fazer com motores a combustão interna", adicionou na entrevista.

O primeiro elétrico da McLaren deve aparecer ainda nesta década, mas no final dela. “Os tempos estão mudando e precisamos nos preparar para novos tempos. O sucesso do 750S mostra que nossos clientes adoram carros a combustão, mas talvez existam outros clientes interessados ​​em outras coisas. Hoje não é o momento para isso, mas talvez no final da década.”, disse o executivo sobre o assunto. Perguntado sobre a regulamentação europeia obrigaria a marca a ter elétricos, Leiters disse: “A regulamentação no passado foi positiva para a inovação quando foi proposital e aberta a todas as tecnologias. É preciso considerar o consumidor; se você for contra ele, não terá sucesso”.

“Estou muito feliz com a abertura de propostas para E-combustíveis. Não estou dizendo que sejam a solução, mas são um forte sinal de que estamos chegando a uma discussão tecnologicamente neutra. BEVs, E-Fuels, Hidrogênio: o que quer que você use, eles são jovens e inovadores, então quem sabe todo o seu potencial? E por que acreditamos que apenas uma tecnologia pode cobrir todos os casos de uso?”, finaliza. É possível que o SUV da marca nasça como o primeiro elétrico, o que não desagradaria tanto os puristas assim por ser um modelo complementar à linha e não propriamente um superesportivo, apesar de ser desenvolvido para fazer jus ao logotipo que carrega.



Foto: McLaren / divulgação

Projeções: Kolesa / reprodução

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