Retrômobilismo#97: sucesso da dramaturgia brasileira, Emis ART foi sucesso na década de 80!


Quando o mercado de importados era proibido, entre 1976 a 1990, o Brasil vivia uma monotonia de marcas no Brasil: na década de 80, Volkswagen, Chevrolet, Fiat e Ford encabeçavam as marcas tradicionais, enquanto um seleto grupo de marcas brasileiras, como Gurgel e Puma, se destacava das demais, além de outras menores. Nessa época foi oportuno o aparecimento de novas marcas brasileiras, como a Emis. A Emis nasceu no Rio de Janeiro (RJ), e seu fundador e proprietário era Eduardo MIranda Santos (daí o nome da empresa). Muitos anos depois, a fábrica foi transferida para Porto Alegre (RS), onde hoje é a única fábrica gaúcha de buggies. Inicialmente produzia buggies no Rio de Janeiro, mas produziu também um minicarro urbano de mecânica Volkswagen: o Emis Art. Pelo Art ter sido fabricado por uma empresa especializada em buggies faz com que este veículo deva estar na lista de carros que mudaram o conceito e estilo sobre carros de tamanho reduzido para os anos seguintes. Com design original, apesar de usar peças das quatro tradicionais, o Art era como um "Smart ForTwo brasileiro".


Com 3,10 metros de comprimentos, o Emis Art tinha espaço apenas para dois ocupantes e ficou famoso na telenovela Cambalacho, da Rede Globo, exibida em 1986. Os atores Edson Celullari e Débora Bloch conduziam o pequeno brasileiro na novela. Possuía chassi próprio, do tipo tubular, construído em forma de duplo Y com perfis de aço, enquanto a carroceria é de fibra de vidro. O Emis Art era uma miscigenação de modelos: para-brisa, portas e vidros laterais de Chevrolet Chevette, vidro traseiro de Chevrolet Marajó, painel de Volkswagen Gol BX, ventilador de Volkswagen Voyage, volante de Volkswagen Passat, lanternas traseiras de Fiat Panorama, freios de Volkswagen Fusca 1600, além de faróis da Volkswagen Brasília. Pesando 730kg, o Art vinha equipado com motor 1.6 que desenvolvia 52cv de potência e torque de 11,2kgfm, acoplado a um câmbio manual de 4 velocidades. Mas no Emis tinha dupla carburação acoplado a uma transmissão Volkswagen com coroa e pinhão iguais às do SP2, apresentando relações de marchas alongadas que melhor se adaptam ao baixo peso do veículo, reduzindo um pouco o elevado nível de ruído, que se deve principalmente à dupla carburação e ao escapamento utilizado, igual ao dos buggies Emis.


Com esse motor ele acelerava de 0 a 100km/h em 13,93 segundos, com consumo de 10,09km/l na cidade e 13,17km/l na estrada, marcas excelentes para a época. Apesar de ser espertinho, o Emis Art tinha alguns defeitos, como a falta do porta-malas. Para carregar bagagens, a única saída era acomodar atrás dos bancos dianteiros, onde tinha um espaço razoável para levar algumas malas ou compras. No espaço do porta-malas, na dianteira, existia apenas o estepe e a bateria. O nível de ruído em viagens era cansativo para os ouvidos, tanto que era um dos pontos mais criticados do Art. O hatch não se popularizou devido seu preço, alto para a época e por suas dimensões (3,10m de comprimento e 1,65m de largura) fizeram dele uma raridade nas ruas de todo o país. Ao todo foram produzidos 153 veículos, 130 pela Emis e 23 sob a marca EmiSul (nome adotado pela Emis após a mudança para o Rio Grande do Sul), até 1987, quando sua produção foi encerrada.


Fonte: Brasileiros Fora-De-Série
Fotos: Revista Quatro Rodas e Rodrigo Simão/MJV Garage

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