Depois de três anos, a solução da Honda com Civic importado foi a melhor escolha?

Honda sofre com as baixas vendas do Civic; em 2023, modelo sofreu por alta demanda em outros mercados, mas desde então vendas seguem patinando



Quando se fala em carros japoneses, certamente a maioria vai pensar em dois produtos: Toyota Corolla e Honda Civic. Eternos rivais, os dois sedãs médios chegaram ao Brasil ainda na década de 1990, quando as importações foram reabertas. Ambos também foram os primeiros produtos nacionais de cada marca naquele período (no caso da Toyota, o primeiro depois de décadas sobrevivendo apenas de Bandeirante). E viviam oscilando na liderança do segmento de sedãs médios. No entanto, em janeiro de 2023, a Honda apresentou a nova geração do Civic que... deixou de ser nacional pela primeira vez desde 1997.

Importado da Tailândia, o novo Civic chegou com motor híbrido (HEV) chamado e:HEV. Passou a ser vendido em versão única, a Touring, e veio caro: R$ 244.900. Aqui, seu lançamento ainda foi atrasado. Era previsto para ser lançado no segundo semestre de 2022. O motivo? Talvez a alta demanda... em outros mercados. Em 2023, alguns meses após o seu lançamento, a Honda divulgou uma nota que explicava que a marca não tinha tantas unidades à disposição. Isso explicou as vendas baixas naqueles meses após o lançamento do sedã médio de nova geração.

Tanto que seu melhor mês de vendas em 2023 foram as 157 unidades emplacadas em fevereiro de 2023 – um mês após o lançamento. A Honda fechou 2023 com apenas 476 unidades do Civic vendidas. “O modelo Civic, comercializado desde janeiro de 2023 na motorização hibrida e:HEV, representa um salto à frente, em termos tecnológicos e construtivos. No momento, impactado pela escassez global de alguns componentes, o Civic Híbrido tem uma limitação de volume a ser ofertado no mercado. A disponibilidade inicial do modelo no Brasil está limitada a algumas regiões e vem sendo expandida gradativamente. A Honda segue dedicando todos os esforços para melhor atender seus consumidores.”, disse a Honda ao site Notícias Automotivas.



Entre maio, junho e julho de 2023, apenas 18 unidades foram vendidas. É um baque e tanto para quem chegava a vender entre 20.000 e 40.000 unidades em um ano. Em 2024, primeiro ano cheio da atual geração, o volume de vendas do Civic melhorou, mas ainda chegou a 1.677 unidades. O melhor mês? Dezembro de 2024, com 252 unidades. Isso colocou o sedã médio em 95º entre os mais vendidos. Em 2025, chegou a 1.163 unidades, sendo fevereiro daquele ano o melhor volume: 357 unidades. A posição naquele ano? Um modesto 120º lugar. Será que realmente a estratégia de vender o Civic apenas com motor híbrido deu resultado?

A nível de comparação, em 2021, o Civic vendeu 18.949 unidades em um fim de ciclo de vida da geração anterior. Em 2019 (antes da pandemia), o sedã tinha vendido bons 27.322 unidades. Será que perder tanto volume de venda em um produto de alto valor agregado, como o Civic é, foi a escolha mais certa para a Honda? A resposta é claramente não. Ao nosso ver, a Honda poderia ter usado o potencial da fábrica de Itirapina (SP) para produzir não só a nova geração do Civic, como também fazer outro produto de alto valor agregado: o ZR-V. Que na configuração que veio em nosso mercado, também não surtiu o efeito desejado.

Produzir nacionalmente Civic e ZR-V em Itirapina, compartilhando a mesma plataforma, uma série de componentes e o motor 1.5 Turbo Flex, seria uma opção bem mais atraente. Poderia sim, manter o Civic e:HEV vindo da Tailândia. Mas como uma opção ao consumidor. E não como única oferta. O resultado são baixas vendas para o sedã e o utilitário esportivo médio da marca. Ainda mais numa concorrência cada vez mais acirrada, onde o consumidor tem ficado cada vez menos preso a uma determinada marca... ou produto. Desde o lançamento do atual Civic, ele usa o motor elétrico de 184cv e 32,1kgfm, junto de um motor 2.0 16v a gasolina de 143cv e 19,1kgfm, alimentado por injeção direta, uma das grandes novidades em relação ao que equipa o Accord Híbrido. Atualmente, o Civic e:HEV custa R$ 266.500.



Fotos: Honda / divulgação

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