Em 2023, Citroën queria chegar a 4% de mercado com linha C-Cubed: o que aconteceu?

Com novos produtos nacionais, Citroën espera chegar a 4% de participação de mercado com o plano C-Cubed, mas expectativa não virou realidade



A Citroën lançou o plano C-Cubed no Brasil com a promessa de iniciar o seu processo de renovação em nosso mercado. E isso começou antes do lançamento do primeiro produto desse plano, o C3, lançado em 2022. Na época, foram anunciados três produtos em nosso mercado para apresentar uma nova Citroën, reposicionada, com foco em produtos mais acessíveis e compactos. A chegada do novo C3, em 2022, deu o pontapé desse plano. Totalmente diferente da primeira e segunda geração, a terceira geração mirou no sucesso de Renault Kwid e Fiat Mobi.

E ele possui seus atributos. Maior que seus rivais, o hatch apostava na personalização que a Citroën sempre teve no país, com versões com opções de teto em outra cor e um motor mais potente, o 1.6, além do 1.0 – depois, trocou o 1.6 pelo 1.0 Turbo. Depois, o lançamento da C3 AirCross, e em 2024 com o Basalt, tinham a promessa de ajudar a marca a alcançar o sonho de ter 4% de participação de mercado. Isso significa vender mais que Nissan e Honda, nona e décima marca mais vendida em 2023. Na época, as duas marcas japonesas venderam cerca de 72.000 unidades cada.

Apesar das vendas crescerem em comparação quando a Citroën vendia apenas o C4 Cactus como automóvel (ao lado dos comerciais leves Jumpy e Jumper), chegando a 32.073 unidades em 2022, 32.282 unidades em 2023, 33.885 unidades em 2024 e 39.903 unidades em 2025, sem nunca passar dos 2% de mercado. Em 2023, em entrevista ao site Automotive Business, a então Vice-Presidente da Citroën América do Sul, Vanessa Castanho, disse que a meta da francesa era chegar aos 4% até o final de 2024. No período citado, a marca chegou a 1,36% de participação.

Na época, durante o lançamento da C3 AirCross de nova geração, Castanho disse ao site que a rede de concessionárias estava empolgada com o lançamento do modelo. “Nossa rede está super motivada e os clientes também estão muito ansiosos pela chegada do produto. É um carro que tem impacto por ser muito atraente e é reconhecido pelo design, assim como todos os produtos da plataforma C-Cubed, que começou com o novo C3 e ainda terá um novo produto. Foi-se a época em que o consumidor precisava se adaptar ao produto. As soluções de mobilidade devem atender às necessidades do consumidor no dia-a-dia”, disse a executiva, na época.



“O Aircross será o único B-SUV com a terceira fileira removível e a possibilidade de sete lugares. Vamos ter as versões de cinco e sete lugares sempre pensando na acessibilidade. E o mais legal da terceira fileira é a versatilidade: você pode ter cinco lugares e um amplo espaço no porta-malas removendo a terceira fileira por completo ou utilizá-lo com seis ou sete lugares”, adicionou a executiva em 2023. Na época, o novo C3 respondia praticamente sozinho pelos emplacamentos da marca e vinha crescendo, conseguindo vender mais de três mil unidades por mês em determinados períodos.

“A performance do novo C3 já vinha sendo muito boa, e mais clientes enxergaram essa oportunidade. Em junho [de 2023] fechamos como Top 5 no segmento e, em algumas praças super competitivas, como no Rio de Janeiro, estamos no Top 4. Então tudo isso mostra que estamos no caminho certo. Todo carro quando é lançado já conta com sua estratégia de ciclo de vida, e isso passa por ano/modelo, séries especiais e pacotes de acessórios. Além disso, existe um olhar muito extremo sobre o que o consumidor diz. Temos pesquisas com clientes que compraram o C3 e os outros produtos, e entendemos o que todos gostam, o que alguns gostam e alguns pontos que precisamos alterar. É algo normal”, disse.

“Então, apesar de termos um nível de satisfação muito bom, um ou outro ponto que precisa de melhoria é considerado no ciclo de vida do produto. Estamos felizes com o sucesso do C3 e a boa aceitação após a revelação do Aircross, e temos certeza que o próximo modelo vai cair no gosto do consumidor. São produtos pensados para a região (da América do Sul) e feitos com uma análise do perfil do consumidor para atender suas necessidades. Nossa preocupação é cuidar do cliente não só no momento da compra, mas também na utilização do produto, que é algo que os clientes sempre se preocupam quando compram um carro. É por tudo isso que não tenho dúvidas de que vamos continuar evoluindo”, analisou Vanessa na entrevista.

Porém, curiosamente, a C3 AirCross não emplacou como o desejado pela marca. Aliás, o modelo nunca chegou a vender bem, desde seu lançamento. A chegada do Basalt em 2024 contribuiu para aumentar o volume principalmente em 2025, por conta da sua ótima relação custo/benefício. Há rumores de que a marca precisa trabalhar na sua imagem e também na melhoria dos seus produtos (especialmente após o desempenho ruim no LatinNCAP), o que pode acontecer na reestilização de meia-vida, especialmente de C3 e C3 AirCross, que possuem mais tempo de mercado. A ideia é que os modelos sigam o design dos pares europeus, trazendo de vez o novo logotipo e a nova identidade visual da marca.



Com uma melhora dos produtos, é possível que a marca embale novamente. Produzidos na fábrica de Porto Real (RJ), C3, C3 AirCross e Basalt são exportados a outros mercados também, o que ajuda a dar volume na fábrica fluminense. No Brasil, a Citroën não possui um plano de trazer novos produtos nacionais. É possível vermos a chegada de novos produtos importados. Na mesma entrevista citada acima, Castanho falou sobre a vinda do Ami. Inclusive, a ex-Vice Presidente da Citroën na América do Sul disse que o Ami viria ao nosso mercado. “Vamos trazer o Ami para o Brasil e para a América Latina porque ele é uma solução de mobilidade que é a cara da Citroën”, disse.

“É extremamente inovador e um sucesso na Europa, onde crianças de 14 anos podem dirigi-lo, até por conta da limitação de velocidade de 45 km/h que transmite segurança. Tem uma autonomia de 80 km para que você realize a mobilidade que precisa e é super disruptivo. Eu brinco que o Ami é nossa solução de mobilidade que vem com um sorriso de série (risos). É impossível não sorrir estando dentro do Ami e dirigindo-o. As portas abrem cada uma para um lado, primeiro porque é muito legal e depois por ser a mesma peça, e assim existe uma redução de custo nisso. É muito importante oferecer uma solução de mobilidade acessível. Então, quando conseguimos isso, estamos alinhados com as expectativas e necessidades desse mundo em transformação que estamos vivendo”, disse a executiva na época.

Em janeiro deste ano (veja aqui), destacamos que o plano da Citroën em trazer o Ami ao Brasil pode ter ido por água abaixo por conta da nossa legislação. Limitado em 45km/h de velocidade máxima, o Ami não poderia nem ser vendido aqui como quadriciclo. Ele foge dos padrões de dimensões e de peso. Em peso, só pode ser enquadrado como quadriciclo modelos com até 400kg ou até 550kg para quadriciclos de carga. O Ami não é um modelo de carga e possui entre 471kg e 485kg. Como veículo, não poderia ser emplacado porque o Ami não é equipado com airbag duplo e freios ABS, outro entrave da nossa legislação para que ele seja vendido aqui. Mas há caminho para outros produtos. Quem sabe o C5 AirCross, revelado no Salão de São Paulo? Seria uma boa.



Fotos: Citroën / divulgação

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