Retrômobilismo#80: Botinha ortopédica? Fiat Uno tem mais de 30 anos de boas histórias!


Sabe aquele carro que quando é lançado revoluciona seu segmento? Atualmente temos muitos exemplos assim: Hyundai HB20, Jeep Renegade entre outros são os exemplos disso. Em 1984, era o Uno que fazia esse feito. Lançado como substituto natural do 147, que já entregava os pontos no Brasil por não conseguir se manter atual, o Uno chegou ao Brasil apenas um ano depois que na Europa, evidenciando seu fator novidade no Brasil. No mesmo ano foi considerado o "Carro do Ano", da revista Auto Esporte e da Quatro Rodas. Seus maiores rivais na época eram o Volkswagen Gol, lançado em 1980 e o Ford Escort, lançado em 1983. O Uno apresentava uma absurda evolução perante o 147. Apesar do seu estilo quadrado, o Uno diminuiu o arrasto aerodinâmico de 0,50 para 0,36Cx. Ganhou no Brasil o apelido de "botinha ortopédica" devido sua carroceria um tanto diferente na época do lançamento. Para se adaptar ao Brasil, a Fiat decidiu trazer o mesmo motor do 147, o 1.050 que desenvolvia 52cv de potência e torque de 7,8kgfm na versão de entrada, a S.


Já as versões S e CS usavam o motor 1.3 a gasolina que desenvolvia 58,2cv de potência e torque de 10kgfm e o movido a álcool, que desenvolve 59,7cv e 10kgfm de potência. Com esse motor o desempenho era apenas razoável, com velocidade máxima entre os 140 e 150km/h, tinha foco principal na economia de combustível. Do 147 ainda vinha a suspensão traseira independente McPherson, com feixe de molas transversal, já que os amortecedores do modelo italiano durariam no máximo 5.000km no Brasil. Outra característica do Uno foi a adoção do estepe no cofre do motor assim como seu antecessor, devido a falta de espaço na traseira. A Fiat também reduziu o número de operações de prensa, de 470 do 147 para 270 no Uno, trazendo menos soldas e mais resistência da carroceria. Em Outubro de 1984 era lançado o SX, que se destacava pelo para-choque dianteiro com defletor, faróis de longo alcance, calotas integrais e molduras em preto fosco nos arcos dos para-lamas. No interior, o destaque era o painel, que incluia conta-giros e manômetro de óleo e volante de 4 raios em vez de dois. O SX tinha o mesmo motor de 1.3, trazendo apenas um apelo esportivo.


Certo tempo depois o Uno passaria a oferecer o motor 1.5, que usava carburador de corpo duplo que desenvolvia 71,4cv de potência com gasolina e 71,4cv de potência com álcool, que atingia 155km/h. Em ambos os casos o torque era de 10,6kgfm, praticamente o que um 1.0 12v é atualmente. Em 1985 o Uno ganhava computador de bordo, algo inédito, que era oferecido como opcional e ficava no lugar do conta-giros. Em 1987 era lançado o Uno 1.5R, que tinha um visual mais esportivo que o SX e motorização mais "picante". Trazia rodas de liga leve de aro 13", um discreto aerofólio traseiro, tampa traseira em preto fosco e faixas laterais decoravam a versão esportiva do Uno. No interior, a Fiat trazia algumas novidades como os cintos de segurança vermelhos, faixa central nos bancos dianteiros em vermelho e o mesmo volante de 4 raios do SX. O motor 1.5 desenvolvia mais, 86cv de potência e torque de 12,9kgfm de força graças a um comando de válvulas mais nervoso e uma taxa de compressão mais alta, aliado a um carburador de corpo duplo. Seus maiores rivais eram o Ford Escort XR3 e Volkswagen Gol GTS.





Em 1989 o Uno ganhava um interior mais moderno, ganhando um painel mais tradicional e um tanto mais baixo. A versão 1.5R ganhava novas faixas laterais, amortecedores pressurizados e rodas de alumínio. No mesmo ano ainda trazia suspensão com geometria revista para menor desgaste dos pneus, os retrovisores externos mais amplos e os bancos dianteiros ganhavam novo sistema de rebatimento, mais leve e prático. Para 1990 os novos motores 1.0 (aliás o precursor dos carros 1.0 no Brasil) e o 1.6 chegavam ao mercado. O 1.6 Sevel desenvolvia 84cv com gasolina e 88cv com álcool, com torque de 13,7kgfm de força, substituindo o motor 1.5. O esportivo 1.5R se tornara 1.6R, com o motor padronizado com o do sedã Prêmio. Em Agosto de 1990 chegava o motor 1.0, com 994,4cm³, chamado de Uno Mille (Mille de mil). Cerca de 60 dias depois, o presidente Collor reduziria os impostos para carros de motores de 800cm³ a 1.000cm³ e o Mille se beneficiou com isso. Nos anos seguintes, o motor 1.0 chegou a responder por 70% das vendas, fazendo a concorrência se mexer. Esse motor desenvolvia 48cv e o torque era de acanhados 7,4kgfm de força. Precisava de 21 segundos para chegar a 100km/h e atingia 135km/h.


Como o Mille era o mais em conta, para diminuir ainda mais seu preço a Fiat abriu mão de alguns itens, como o retrovisor externo direito, revestimento dos bancos mais simples, perda do marcador de temperatura e as saídas de ar no painel. Outros itens que eram de série passaram a ser opcionais. O Uno Mille também foi o precursor dos carros chamados pé-de-boi, carros básicos sem nenhum item de conforto. Em 1991 chegavam mais mudanças: 2 tensores faziam a tarefa de manter a posição das rodas em acelerações, antes um encargo do estabilizador. Até então, ao sair forte com um Uno, as rodas assumiram posições indesejadas, o que prejudicava a transmissão de potência. Enquanto o Mille permanecia com a mesma dianteira do Uno de 1984, as demais versões do Uno ganhavam uma nova dianteira em 1991, chamada de "frente baixa", devido aos faróis e grade mais afilados que o modelo de 1984. No mesmo ano as versões CS e 1.6R ofereciam barras de teto (rack) e na versão esportiva existia a possibilidade de vir com teto solar com deslocamento externo e com abertura manual.


Em 1992, as novas regras de emissões fizeram a Fiat retrabalhar no motor 1.0 do Uno Mille. Ele perdia 1cv de potência e 0,3kgfm de torque. Para compensar a perda de um, a Fiat aumentou a potência do motor 1.5 Fiasa que passou a desenvolver 61cv de potência e 2 meses depois recebia injeção eletrônica, que aumentou novamente a potência para 73/67,3cv de potência e torque de 13,3/12kgfm com álcool e gasolina respectivamente. A mesma solução podia ser aplicada ao Mille, mas o custo seria alto para uma versão de entrada, focada no baixo custo. Em Novembro de 1992 era lançado o Mille Eletronic, que trazia 56,1cv e torque de 8,2kgfm após adotar a injeção digital. Tornou-se o 1.0 mais potente e rápido do mundo, na época. Logo em seguida recebeu como opcionais, ar-condicionado e carroceria de 5 portas. Em 1993 o Mille recebia uma "vida própria" ao ser adicionado pela Fiat no programa governamental do "Carro Popular", aquele que trouxe o Volkswagen Fusca de volta a ativa. Em Junho de 1993 era lançado o motor 1.6 mpi, que trazia injeção multiponto e aumentava a potência para 92cv e 13kgfm de torque. Trazia no visual, novas rodas e as lanternas traseiras recebiam seção superior fumê.


Em Janeiro de 1994 o Uno escreve mais um capítulo do seu sucesso no Brasil. Chegava ao mercado o Uno Turbo, que substituía o 1.6R. O motor era um 1.4 Turbo que desenvolvia 118cv de potência e torque de 17,5kgfm de força, que trazia uma ótima relação de Peso/Potência. Para ir de 0 a 100km/h o Uno Turbo precisava de apenas 9,2 segundos e chegava a 195km/h. Esse motor era similar a muitos motores 2.0 da época, como o motor do Chevrolet Monza ou Volkswagen Santana, que mesmo assim, rendiam menos. O Uno Turbo tinha suspensão milimetricamente rebaixada e tinha design mais esportivo ao trazer spoiler dianteiro e traseiro, rodas de liga leve, lanternas fumês e adesivo Turbo no para-lama. Era oferecido em cores vivas, como o Amarelo Modena. No interior, bancos dianteiros eram mais esportivos. Três meses depois, com o lançamento do Chevrolet Corsa em 1994, a Fiat lançava a versão ELX, que se tornaria a versão topo de linha do Uno. Nessa versão ele tinha como itens de série, o ar-condicionado, vidros e travas elétricas (opcional), pneus 165/70, volante de 4 raios e novo painel, similar ao do 1.6R, embora sem trazer o conta-giros. Comparado ao Corsa Wind, que não tinha esses itens, era até uma compra convincente.


Com a saída de linha da versão 1.6R, a Fiat percebeu que esse motor poderia ser oferecido aos consumidores. Em 1995 era lançado o 1.6 mpi, com opção de 3 e 5 portas, tinha acabamento interno mais caprichado que as demais versões. A injeção eletrônica chegava ao Mille no mesmo ano, enquanto o Mille Eletronic passava a ser chamado de i.e. e o ELX passava a ser vendido como EP. A potência chegava a 58cv de potência e o torque era de 8,2kgfm, pouco acima do que o modelo anterior. Em 1996 muito já se falava do fim do Uno. Com o projeto chamado de 178, o Palio estava bem próximo de nascer no Brasil, com dois anos de atraso frente a Europa. Quando foi lançado, as motorizações 1.5 e 1.6 deixavam de ser oferecidas, como uma forma de abri espaço para o irmão mais novo e moderno. Na linha 97, o Uno era vendido apenas na versão SX, enquanto o motor recebia catalisador e atingia apenas 57cv. Com a chegada do Palio, esperava-se que as vendas do Uno definhassem. Ledo engano. O Uno permaneceu firme e forte no mercado, fator que fez a Fiat desistir de tirá-lo de linha.


Em 1998 a versão SX passava a ser chamada de EX e em Março de 2000 passava a ser vendida como Smart. Com a chegada dessa versão, o Uno recebia alguns retoques no visual, muito modesto por sinal. Chegava a hora de receber novos retrovisores iguais ao do Palio, nova grade dianteira, novas maçanetas externas, para-choque dianteiro e traseiro e novas calotas chegavam ao hatch. Logo em seguida, já em Junho de 2001, era hora de se despedir do motor 1.0 Fiasa. Chegava ao mercado o Mille Fire, que desenvolvia 55cv de potência (2cv a menos) e torque de 8,5kgfm, que apesar da menor cavalaria, era mais esperto que o antigo motor Fiasa. O consumo também era maior, e a Fiat estipulou até mesmo 20km/l. Cerca de 20% mais leve, esse novo motor encerrava o problema crônico do Uno, de mandar a correia de acionamento do comando de válvulas para o "beleleu". Agora, a troca era necessária a cada 100.000km. Ganhava novo imobilizador eletrônico. A continuidade da história do Uno acontece em breve, com os demais 14 anos do hatch italiano.


Fonte: Best Cars

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