Mercado: as marcas de carros mais vendidas do Brasil em 2023; Fiat lidera e VW avança
Em 2023, as vendas de automóveis tiveram um crescimento de 11,33% e ultrapassaram os 2 milhões; Fiat é líder, mas é a Volkswagen que mais ganha mercado
O mercado de automóveis e comerciais leves, também chamado
de mercado de automóveis em geral, fechou o ano de 2023 com um avanço de 11,33%
em relação ao mesmo período de 2022. Foram 2.179.356 unidades em 2023 contra as
1.957.699 unidades de 2022, voltando ao patamar de 2 milhões de unidades em
apenas um ano. O volume maior representa um avanço nas vendas de quase todas as
marcas. Mas, antes de falarmos sobre dados de vendas, o ano de 2023 terminou
com um volume maior que as próprias projeções de vendas.
De acordo com a Federação Nacional da Distribuição de
Veículos Automotores, a Fenabrave, o avanço de 11,3% nas vendas previa um ano
com cerca de 2.100.000 de unidades. "Automóveis e comerciais leves tiveram
um 1º semestre desafiador, mas houve reaquecimento do mercado com os incentivos
temporários do Governo Federal e com mais disponibilidade de crédito no último
trimestre. O mês de dezembro, principalmente, teve um comportamento ainda
melhor, em função das vendas corporativas. Agora, é preciso buscar alternativas
para trabalhar o aumento de escala e o maior acesso ao crédito desses
segmentos", disse o então Presidente da Fenabrave, Andreta Jr.
Apesar de ainda distante do recorde histórico, com mais de
3,6 milhões de unidades anuais, de 2012, os segmentos de automóveis e
comerciais leves apresentaram recuperação importante em 2023. “Foi um ano em
que o setor automotivo demonstrou uma recuperação importante e que deve ser
celebrada, tanto que foi a 1ª vez, desde 2019, que tivemos mais de 2 milhões de
automóveis e comerciais leves emplacados no ano. No entanto, temos que lembrar
do impulso das medidas provisórias que estimularam o setor, o que mostra que é
necessária a busca de soluções permanentes que mantenham o mercado aquecido, já
que se trata de um setor que conta com 7.400 concessionárias, instaladas em
mais de 1.000 municípios e que respondem por mais de 300 mil empregos e por 5%
de participação no PIB nacional”, adicionou Andreta Jr.
“A disponibilidade e o custo do crédito têm muita influência na decisão de compra dos consumidores. Com a ligeira melhora na inadimplência, no último trimestre de 2023, percebemos que houve uma maior disponibilização de crédito por parte das instituições financeiras e isso foi captado pelo mercado”, analisou na época. Entre as marcas, a italiana Fiat manteve mais uma liderança – a terceira consecutiva desde 2021, quando a marca retomou a liderança. Em 2023, a Fiat fechou o ano com 475.571 unidades, um crescimento de 10,63% em relação as 429.837 unidades de 2022. Mesmo assim, perdeu em participação de mercado.
O mesmo não pode ser dito pela Volkswagen. Depois de um ano de renovação, a marca alemã recuperou a vice-liderança em vendas. Até o primeiro semestre de 2023, a Chevrolet ainda mantinha essa segunda colocação, mas no segundo semestre as vendas da Volkswagen despertaram por conta do Polo Track – principal motor desse crescimento. Com isso, a marca alemã chegou às 345.018 unidades, um avanço de 28,33% frente aos 268.850 modelos vendidos em 2022. Em participação de mercado, coube a Volkswagen o maior avanço entre todas as marcas.
Dos 13,732% de 2022, a marca alcançou 15,831%, um avanço de 2,098%. Isso reduziu a marca da Fiat de 7,0921% (de diferença para a Chevrolet no ano anterior) para 5,9905% em 2023 para a Volkswagen. Segunda em 2022, a Chevrolet se manteve no pódio com suas 328.049 unidades. Apesar de perder o pódio, a marca norte-americana também avançou (+12,73%) em relação a 2022 – quando 290.996 unidades foram vendidas. A Chevrolet também teve ganho de Market Share, mas de forma bem mais discreta. Teve uma evolução de +0,1884%, chegando a 15,052% de mercado.
Em sequência, Toyota e Hyundai se mantiveram em quarto e quinto, respectivamente. As duas marcas mantiveram praticamente o volume de vendas que o ano anterior. No caso da Toyota, a japonesa fechou 2023 com 192.290 unidades, um discreto avanço de 0,623% frente as 191.099 unidades de 2022. Já a sul-coreana Hyundai fechou 2023 com 186.248 unidades, uma discreta queda de -0,746% em relação as 187.649 unidades de 2022. Já a disputa pelo sexto lugar foi bem acirrada na maioria do ano. Com isso, Jeep e Renault duelaram e ficaram com uma diferença de apenas 721 unidades, a favor da marca norte-americana, que viu seu desempenho cair no segundo semestre.
Ao mesmo tempo, a francesa viu suas vendas crescerem no segundo semestre de 2023, tirando quase toda a vantagem que a Jeep construiu no primeiro semestre. O fato de que a Jeep conseguiu sustentar esse sexto lugar é ressaltado por conta da queda de -7,518% nas vendas. As 137.319 unidades de 2022 contrastam com as 126.995 unidades de 2023. De quebra, a Jeep foi a marca que mais perdeu participação em um ano. Dos 7,014% de 2022 para 5,827% de 2023, uma queda de 1,187% de mercado. A Renault teve uma estabilidade nas vendas.
Das 126.066 unidades para as 126.274 unidades, das marcas que tiveram um crescimento nas vendas e no Top 10, a francesa teve a evolução mais tímida: +0,164%. Em participação, a Renault teve queda de 6,439% para 5,794%, mesmo com o avanço. A oitava colocação em 2023 ficou por conta da Nissan com as suas 72.554. A marca japonesa ultrapassou a conterrânea Honda, que caiu para nono. Ambas com crescimento superior a 25% em relação a 2022, a Nissan ficou na frente da Honda por apenas 502 unidades. Por fim, a Nissan fechou com 72.554 unidades, avanço de 35,39%. A participação de mercado subiu de 2,737% para 3,329%.
Já a Honda passou das 56.620 unidades em 2022 para as 72.052 unidades em 2023, um avanço de 27,25%. Já a participação de mercado também aumentou. Dos 2,892% de 2022 para 3,306%. A Peugeot fechou novamente mais um Top 10 ao ser a décima, com 34.918 unidades. Mas, contrastando com a maioria, a francesa sofreu uma queda de -16,25% nas vendas (a maior do Top 10) quando comparado com as 41.698 unidades de 2022. A participação de mercado, que chegou a ser de 2,129% em 2022 caiu para 1,602% em 2023, o quinto maior recuo de participação de todas as marcas.
A Peugeot sustentou a décima colocação, mas foi pressionado pela Citroën e pela Chery durante quase o ano todo. Os primeiros meses de 2023 colocavam a Citroën em 10º, mas a marca do duplo Chevron fechou o ano com 32.282 unidades. Este é um avanço de 0,65% frente a 2022. Já a Chery, 11º em 2022, ficou em 12º em 2023 graças a uma queda de -9,99%. Passou das 34.976 unidades em 2022 para 31.479 unidades em 2023, com a chinesa tendo um avanço considerável a partir do segundo semestre.
A marca inclusive ultrapassou a Ford (13º), ao longo do ano. A Ford teve um avanço nas vendas de 40,21% com as 28.705 unidades de 2023, contra as 20.472 unidades de 2022. A Mitsubishi caiu uma colocação em relação a 2022 ao ser ultrapassada pela Ford. A japonesa ainda teve uma queda nas vendas de -16,63%. Fechou 2023 com 18.824 unidades, contra as 22.579 unidades de 2022. Um dos grandes destaques deste ano foi a BYD, que teve um avanço estratosférico de 6.802,30%. Passou de 260 unidades em 2022 para 17.949 unidades em 2023, fazendo a marca estrear no Top 15.
Quem também quer fazer parte de um Top 15 é a RAM. Com a chegada da Rampage neste ano, a marca teve um crescimento de 235,66% nas vendas e fechou 2023 com um novo recorde histórico de vendas: 16.951 unidades. O recorde anterior? Justamente 2022, com as 5.050 unidades. Tradicional décima-quinta mais vendida, a BMW foi ultrapassada por BYD e RAM. A marca premium alemã fechou 2023 com 15.098 unidades, avanço de 9,76% nas vendas em relação a 2022 (13.755 unidades). Outra estreante no Top 20 é a GWM. As 11.476 unidades de 2023 representaram um avanço incrível de 114.660%.
A marca chinesa também é mais uma cotada para brigar no Top 15 de 2024. Em 19º, a Mercedes-Benz fechou o ano com 9.207 unidades, uma queda de -7,78% quando comparado com as 9.984 unidades de 2022. Lembrando que no caso da Mercedes estão unidas as divisões de automóveis e vans. Fechando o Top 20 está a Volvo, com as 8.185 unidades. Com um avanço de 55,43% nas vendas, a marca sueca ultrapassou a Audi e ficou na vice-liderança entre as marcas premium (considerando que a Mercedes-Benz ainda possui a divisão vans com a Sprinter).
A Audi caiu para 21º com suas 6.505 unidades, mesmo tendo um avanço de 18,72% nas vendas. Outro destaque positivo de 2023 é a Porsche. Ficando em 22º, a marca alemã alcançou 5.228 unidades e fechou com alta de 62,51% nas vendas – quebrando um novo recorde de vendas histórico no país. Também avançando em suas vendas está a Land Rover. Estacionando em 23º em 2023, a inglesa teve 4.990 unidades vendidas e um crescimento de 37,01%. É um resultado oposto da Kia, 24º. Sendo 18º em 2022, a sul-coreana caiu de 5.379 para 4.886 unidades (-9,16%) e caiu seis colocações no ranking.
Em sequência, Iveco (25º) e VWCO (26º) tiveram quedas de até -32% nas vendas e também caíram no ranking. Em contrapartida, a MINI (26º) teve um avanço de 47,72% nas vendas e encerrou 2023 com 1.526 unidades. Ela foi seguida pela Effa (27º), com 1.304 unidades e um avanço de 23,48%. Em baixa de -22,21%, a Suzuki ficou em 29º com suas 984 unidades. A Lexus fechou o Top 30 com suas 848 unidades. A marca premium japonesa teve um avanço de 109,38% nas vendas, graças ao avanço da rede de concessionárias e da renovação da linha.
Em sequência, JAC (31º), Jaguar (32º) e Subaru (33º) vieram com baixas que chegaram a quase 50%, vendendo ao menos, 100 unidades anuais. Depois, a Ferrari (34º) lidera um outro pelotão, seguida por Tesla (35º), McLaren (36º), Dodge (37º), GMC (38º), Hitech (39º) e Aston Martin (40º) fechando o Top 40. Destaque positivo para a McLaren com suas 41 unidades e um crescimento de 241,66%, marcando o primeiro ano cheio da marca no país. A brasileira Hitech teve um avanço de 450%. Depois, Foton, Chrysler, Maserati, Seres e Troller fecham o Top 45.
Entre as estreantes, Dongfeng (46º), Rivian (47º), Arrow (50º), Cadillac (52º), Exeed (55º), SsangYong (56º), Smart (57º) e Changan (57º) emplacaram ao menos uma unidade em 2023. Dessas, algumas são marcas que não atuam oficialmente no Brasil ou tiveram operações encerradas nos últimos anos. A Tesla lidera as vendas de marcas que não atuam oficialmente no Brasil, seguido pela Dodge e GMC, que atuam como operação independente. O mesmo acontece com Chrysler, Rivian e Cadillac. Unidades de marcas como Dongfeng, Exeed, SsangYong, Smart e Changan são raras. Além da Hitech, a brasileira Arrow (50º) também marcou sua estreia no ranking.
Em Market Share, a Volkswagen foi a marca que mais cresceu. O avanço nas vendas representou avanço de 2,098% de participação. A BYD apareceu em segundo com 0,810% de participação e a Nissan ficou em terceiro com 0,592% de ganhos em mercados. A GWM (+0,526%) e a RAM (+0,519%) fecharam o Top 5. Do outro lado da tabela, a Jeep foi a marca que mais perdeu: -1,187%. A Hyundai veio em segundo (-1,039%), a Toyota em terceiro (-0,938%) e a Renault em quinto (-0,645%). Confira abaixo os dados completos de vendas e os dados de participação de mercado.
Fotos: Fiat / divulgação | Volkswagen / divulgação | BYD / divulgação | GWM / divulgação | RAM / divulgação | Nissan / divulgação | Porsche / divulgação | Volvo / divulgação | Lexus / divulgação | McLaren / divulgação










Muito boa a publicação. Os datos são bem interessantes e os detalhes da evolução em relação a ventas dos carros estão muito legais.
ResponderExcluirExcelente trabalho do jornalista, parabéns.