Ex-COO da GWM revela mais informações sobre a escolha da fábrica em Iracemápolis (SP)
Great Wall Motors detalhou qual foi os motivos pela escolha de Iracemápolis (SP) como a sua primeira fábrica no país e comenta sobre incentivos fiscais
Quando a Great Wall Motors (GWM) confirmou que chegaria ao
Brasil com a intenção de ter uma fábrica, muita gente ficou surpresa. Isso demonstra
que a marca chinesa tinha um plano de longo prazo, o que dá confiança também a
muitos consumidores. E assim decidiu pela fábrica que era da Mercedes-Benz, a
unidade de Iracemápolis (SP). E segundo o então Chief Operating Officer
(Diretor de Operações) da marca na época, Oswaldo Ramos, a escolha pela unidade
paulista o surpreendeu por não ter incentivos fiscais na região.
Isso vai de encontro com justamente o oposto da sua
arquirrival, a BYD, que escolheu a unidade de Camaçari (BA), que possui
incentivos fiscais. "Temos dois pontos aqui. O que estamos comunicando e o
estratégico. Vim de duas montadoras [Ford e Peugeot] que tinham fábricas
'incentivadas'. Então, logo perguntei para a matriz, assim que assinei meu
contrato, o motivo de nos instalarmos em São Paulo [na cidade de Iracemápolis],
onde não receberíamos incentivos", disse Ramos, em entrevista ao siteAutomotive Business em 2023. Na época da entrevista, Ramos ainda disse que
achou "incrível" a resposta dos chineses por Iracemápolis.
"Vemos uma tendência ao redor do mundo de que fábricas
com incentivos duram enquanto têm os incentivos. Quando estes acabam, as
unidades fecham as portas. Nós estamos vindo para cá não olhando para o curto
prazo. Estudamos muito o mercado e queremos nos estabelecer por aqui no longo
prazo. Essa região, do interior de São Paulo, tem as montadoras asiáticas que
trabalham com tecnologia híbrida. Então, é normal que os fornecedores se
instalem ali. Isso torna nossa operação mais eficiente", disse Ramos na
época. Desde que a GWM adquiriu da Mercedes-Benz a unidade fabril, a marca vinha
trabalhando em ajustes na fábrica.
Naquela época, a fábrica da GWM precisava apenas de algumas adaptações em termos de software para iniciar a operação. "A linha de montagem foi muito bem planejada pelo dono anterior [a Mercedes-Benz]. Ao contrário de fábricas feitas no Brasil para grandes volumes, onde você tem que fazer 100 mil unidades por ano de um mesmo modelo, as marcas premium têm essa natureza de fazer carros mais personalizados. Então, a nossa unidade é muito flexível na montagem final", destacou Ramos. A área de pintura da fábrica também foi uma grata surpresa aos olhos da marca, com um alto nível de robotização.
Mas isso também precisou de novos ajustes em termos de software. Inicialmente, sabe-se que a fábrica vai começar a sua produção por meio do regime CKD, também conhecido por Completely Knocked-Down, quando a produção é totalmente desmontada em peças para ser montada no país de destino. A unidade de estamparia não será local e as peças vem importadas da China. Para complementar, serão necessários "pequenos ajustes nas soldas e armação da carroceria" para que a fábrica comece a operar. As primeiras unidades de pré-série da fábrica começaram em maio de 2024, por conta de uma mudança na estratégia de produção.
Isso porque o Haval H6 e o Haval H6 GT, por conta do seu sucesso, tomarão a frente na produção nacional. "Nosso número mágico para a nacionalização de um carro é 15 mil. Se o veículo superar esse volume passamos a cogitar a sua produção no Brasil, até mesmo porque a operação de importação se torna mais complexa", destacou o executivo em entrevista na época. Até então, até mesmo o Ora 03 poderia ser produzido no país, se vendesse mais de 15.000 unidades por ano. "É claro que temos que esperar como o veículo irá se comportar no mercado, mas temos boas expectativas para ele”, destaca.
“Portanto, se atingirmos esse número de 15 mil unidades por ano, provavelmente iremos estudar sua nacionalização", concluiu o então COO. A GWM confirmou, ainda em 2023, um investimento da ordem de R$ 10 bilhões em nosso mercado e contou com a aquisição da fábrica de Iracemápolis (SP). Além do H6 e H6 GT, novos modelos devem ser produzidos na unidade.
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