Retrômobilismo#22: IBAP Democrata, o nosso primeiro genuinamente brasileiro cercado de mistérios!

Fonte: Quatro Rodas
Se eu perguntar, quem aí conhece o IBAP Democrata? Possivelmente poucos dirão que conhecem o primeiro carro genuinamente nacional, que foi lançado em Outubro de 1963, quando a IBAP (Indústria Brasileira de Automóveis Presidente) com fábrica em São Bernado do Campo (SP) lançava o Democrata, o carro mais raro do Brasil, que souber que ele existiu de fato. Segundo Nelson Fernandes (Fundador da IBAP) a meta era fabricar um popular, um sedan e um coupé (o Democrata). Logicamente o primeiro a vir seria o popular, mas uma inversão acabou acontecendo e o Democrata veio primeiro. Patriota, Nelson Fernandes colocou no logo da IBAP o mapa do Brasil dentre de uma embreagem estilizada. O Democrata era um coupé médio, que media 4,68m de comprimento e 1.150kg, com design moderno e com forte inspiração nos modelos americanos da época.

Fonte: Quatro Rodas
O IBAP Democrata tinha motor 2.5 V6 que rendia 120cv de potência a 4.500rpm e um câmbio manual de 4 velocidades, tinha bloco e cabeçote de alumínio, era o carro mais potente do Brasil até a primeira metade da década de 60. Ia de 0 à 100km/h em apenas 10 segundos e atingia a velocidade máxima de 170km/h e fazia uma média de 7,5km/l na cidade. Tinha bom desempenho já que sua carroceria era feita de fibra de vidro, o que deixava o IBAP Democrata um carro leve e com bom desempenho. Uma das curiosidades desse motor V6 era a disposição da admissão e do escapamento, com um fluxo transversal invertido, enquanto nos motores em "V" tradicionais os dutos de entrada ficam voltados para o centro do "V" e os de saída para o lado externo do motor, no Democrata era ao contrário. Outro destaque do motor era a carcaça da transmissão formando um conjunto inseparável, como as motos por exemplo.


Com suspensão independente nas 4 rodas, tinha molas helicoidais com a dianteira usando braços triangulares sobrepostos e a traseira com suspensão com semi-eixos oscilantes. Os freios eram a tambor e a caixa de direção ficava atrás do eixo dianteiro. A história da IBAP é até hoje uma história confusa e com alguns mistérios que envolveram o sonho do carro brasileiro. Nelson Fernandes buscava acionistas (No total conseguiu 87 mil acionistas) para a empresa na época e tinha uma proposta de um carro desenhado e construído por brasileiros, com tecnologia para a época, desencadeou reações contrárias motivados por interesses de marcas locais na época (Entre elas, DKW, Willys, Volkswagen, Chevrolet, Ford, Simca, FNM e Toyota estavam presentes no mercado naquela época). Aconteceu assim com a Gurgel no desenvolvimento de um modelo em 1988 e com a Tucker nos EUA no fim dos anos 40. Era uma estratégia boa para uma marca que recém nascida, que provocou uma reação contrária as rivais que estavam no país. A IBAP pretendia fabricar 368 unidades por dia a partir de 1968, o mesmo que a Volkswagen (líder do mercado) fazia com seus modelos no país.

Foto: Best Cars
Segundos fontes, tem a possibilidade da IBAP não ter encontrado argila para fazer os carros em escala 1:1, o que é essencial para o início de um projeto. Tanto a IBAP como a Gurgel não encontravam argila no mercado. Será que era pressão da indústria automobilística estabelecida ou receio do fornecedor de entregar e não receber, tratando-se de uma marca nova? Com várias críticas e dúvidas, a IBAP não teria início no Brasil, mas a história começa a ficar confusa e misteriosa algum tempo depois, e acabou complicando de vez quando um navio com motores oriundos da Itália (Motores que seriam usados no Democrata, já que não confiavam nos motores brasileiros com medo de "boicote" nos motores) foram apreendidos mesmo após todos os papéis estarem em ordem, foi apreendido como contrabando. Na venda da também fábrica nacional na época, a FNM, a IBAP tinha interesse em comprá-la, mas foi impedida e a compra recusada, sem explicações.


O empresário ainda buscou a alternativa da concorrência pelo cartório do Registro de Títulos e Documentos, mas teria havido nova recusa, sob alegação de que "o proponente não tem capacidade financeira nem idoneidade técnica". Ainda durante a compra da FNM, a Polícia Federal e o Banco Central realizaram uma fiscalização nos escritórios da IBAP, que confiscaram futuros projetos, livros contábeis e extratos de conta bancária. No final das contas a FNM foi vendida a Alfa Romeo. Em Junho de 1965 era criada uma CPI para interrogar Nelson Fernandes e peritos em 1964. Um ano depois eram publicadas 64 páginas a respeito no Diário do Congresso, em que se dizia não haver contabilidade, livros ou balanços da empresa, o que cancelou 37 mil acionistas, restando apenas 50 mil, sem falar que Fernandes ainda tentou convencer o presidente da república (Arthur da Costa e Silva) em uma audiência sobre seu projeto, mas sem sucesso. 


O Banco Central elaborou um laudo pouco tempo depois que atestava a "inexistência para a produção ou mesmo montagem de quaisquer dos componentes do veículo motorizado", a "inexistência de contratos com quaisquer das fábricas de veículos ou autopeças, quer no país, quer no exterior" e "não constar da organização da empresa a presença de técnicos em quaisquer das numerosas especialidades essenciais à fabricação de automóveis, ou à elaboração dos projetos respectivos", que levou duas ações contra a IBAP na Justiça Federal, que provocou um novo processo-crime na Justiça Estadual contra a IBAP, com alegação de "coleta irregular de poupança popular sob falsa alegação de construir uma fábrica de automóveis", que provocou Fernandes a desistir do sonho do carro nacional, onde seria considerado inocente apenas 22 anos depois. O mais provável que tenha acontecia é um boicote a IBAP de rivais já estabelecidas no país, mas sem saber qual das marcas eram. Segundo fontes, Fernandes desistiu da IBAP no fim de 1968. No total foram produzidas apenas 5 unidades do Democrata, e apenas uma circula (A unidade de cor vermelha, presente em todas as fotos deste post), localizada em Passo Fundo (RS), além de 30 carrocerias do Democrata, nenhuma delas concluídas. 


Fonte: Best Cars

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