Retrômobilismo#56: Avó da RAM, Dodge D100 é o grande exemplo de trabalhadora anônima!


Assim como o Retrômobilismo#55 de ontem, você possivelmente não deve conhecer o modelo de hoje, a Dodge D100, o mais desconhecido Dodge produzido no Brasil, mais ate que a dupla Magnum/LeBaron. Lançada em 1969, a D100 era uma rival a altura para Chevrolet C10, Willys F75, Toyota Bandeirante Pickup, Volkswagen Kombi Pickup e Ford F100, e tinha grandes chances de ser bem sucedida no mercado. Com o mesmo motor que equipava o carro de passeio da montadora (mas bem amansado), o utilitário da Chrysler, ao contrário das pickups concorrentes, não conseguiu se fixar no mercado. Muito rara e pouco conhecida, a D100 foi produzida junto dos irmãos mais conhecidos como Dart, Charger e alguns anos depois o 1800/Polara. Tinha como seu principal destaque, seu conjunto mecânica, com o motor 5.2 V8 que rendia 198cv de potência e torque de 42,0kgfm de força, com câmbio manual de 3 velocidades, com alavanca na coluna de direção, responsável para empurrar os 1.650kg da picape.


Com esse motor a D100 ia de 0 à 100km/h em 16 segundos, com velocidade máxima de 140km/h. Assim como o motor era seu principal destaque, era o motor o seu principal problema. Tinha consumo de 4km/l em ciclo urbano e 6,2km/l na estrada. Nas dimensões, a D100 tinha espaço relativamente parecido com suas rivais ao oferecer 4,86 metros de comprimento, 1,42m de altura, 1,75m de largura e 2,90 metros de entre-eixos. Na capacidade de carga, levava 709kg, com tanque de combustível de apenas 68 litros, pequeno para uma picape. As D100 eram oferecidas em duas versões de acabamento, a standard e luxo. A versão mais cara tinha como diferenciais pára-choques e calotas cromados e friso lateral. Internamente, mudava o revestimento dos bancos e o volante, que era o mesmo do Dart. Na picape mais simples, a direção era a mesma dos caminhões D400.


Mesmo com tantos predicados, a D100 não deu certo no Brasil e quem possui uma unidade é bom preservá-la, pois é muito rara. Uma das circunstâncias que ajudou no desaparecimento das picapes da Dodge foi o fato de bom número delas ter sido destinado às frotas públicas e, posteriormente, sucateada. A propensão à corrosão também ajudou no sumiço delas, razão pela qual a empresa cessou sua fabricação em 1971, tornando-se muito rara, fabricando apenas 2.160 unidades da D100, número bem inferior ao das principais rivais no mercado. Alguns anos depois o modelo foi montado em CKD vindo da Argentina, de 1976 a 1978, exclusivamente para frotas públicas e teve relativo sucesso por lá, diferente daqui que se tornou uma trabalhadora anônima. Anônima pelo simples fato de ser rara e ter sido vendida praticamente a maioria de suas unidades, para órgãos públicos.


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