Vídeos Automotivos: C’était un rendez-vous...


Uma vez, um cineasta chamado Claude Lelouch decidiu apenas pegar seu carro, esportivo, uma câmera para gravar, e sair dirigindo nas ruas de paris em 1976 ao amanhecer. Esse é a história contada por um curta-metragem. Mas o que tem de tão legal nesse vídeo, que foi um filme produzido por Claude, sendo que nem o próprio carro aparece no vídeo? Simples, primeiramente porque foi feito nas ruas estreitas de Paris, cidade conhecida por sua beleza, segundo que os carros da época dão uma magia que atualmente não existe mais. Tudo que está no vídeo, exceto as construções e monumentos, não existem mais. Os carros? Não são mais daquele jeito. As pessoas? Não são mais daquele jeito. A cidade? Também não é mais daquele jeito.

Pelo ronco do carro e o contexto do video, parece ser como um Ferrari 275 GTB andando em alta velocidade, assustando pombas, pessoas, invadindo calçadas e ruas de contra mão, realmente confirma que se trata de um carro esportivo nas mãos de alguém atrasado para um encontro.


Dirigir ao amanhecer em uma metrópole, seja Paris, São Paulo, Nova York, em 1976 com toda a velocidade demonstrada no vídeo, certamente não seria a mesma coisa hoje, pois poderia resultar em cadeia e não teria a menor graça por ser uma época que nós vivemos, e não décadas atrás como mostrado no curta-metragem.

O filme também foi utilizado em um clipe da banda Snow Patrol, para a música Open Your Eyes. E ficou ainda melhor ver o vídeo junto com a música citada acima, pois ela dá mais ênfase ao clipe. Abaixo, o vídeo original, e em seguida o clipe da música Snow Patrol.

 Versão Original

Versão feita pelo Snow Patrol

Se ainda não entenderam o porquê de estar escrevendo sobre isso, é que percebemos a rápida evolução não apenas do mundo automotivo, mas em um todo no geral. As máquinas da época em que vivemos são cada vez mais modernas e cheias de coisas que acabam tirando nossa liberdade. Onde vamos somos rastreados, seja por dispositivos nos automóveis ou câmeras em ruas. E é exatamente isso que o filme mostra: Liberdade, um homem correndo em alta velocidade numa Paris em suas ruas sonolentas, belas e relativamente vazias. Algo que existia em maior dimensão na década de 70, a liberdade. As pessoas eram livres para dirigir da forma que quisessem, no horário que quisessem. Claro, existiam leis, porém não tão rígidas quanto as de hoje. Se pararmos para pensar, onde vamos parar com tanta tecnologia tirando a privacidade de cada um? A resposta é que não há como parar, o mundo voa e o tempo não para. Foi-se uma época mágica, em que todos se sentiam livres. Uma época que infelizmente não vai voltar.

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