Stellantis revelou as futuras tecnologias de eletrificação nacionais chamadas Bio-Hybrid

Stellantis apresentou no Brasil a plataforma modular Bio-Hybrid, que estará presente em modelos da Fiat, Peugeot e Citroën; grupo apostará em motores MHEV



A Stellantis apresentou no dia 1º de agosto de 2023 a nova tecnologia chamada de Bio-Hybrid. De acordo com o grupo, a novidade estará presente nos carros produzidos na América do Sul, começando pela fábrica de Betim (MG). A tecnologia estará presente em três plataformas correntes da Stellantis, possivelmente com a MLA e CMP, que serão as primeiras a ter a tecnologia. Mas, o que seria a tecnologia Bio-Hybrid? Aposta em motores híbridos-leve de 12V (MHEV), iniciando a eletrificação das marcas em nosso mercado, movimento que começou em 2024.

“O Bio-Hybrid faz parte da rota tecnológica da mobilidade acessível e sustentável adotada pela Stellantis. Queremos potencializar as virtudes do etanol, como combustível renovável, cujo ciclo de produção absorve a maior parte de suas emissões, combinando a propulsão à base do biocombustível com sistemas elétricos”, afirmou Antonio Filosa, então Presidente da Stellantis para América do Sul na época. A tecnologia foi desenvolvida pelo Tech Center Stellantis na América do Sul, em associação com fornecedores, pesquisadores e outros parceiros que constituem o ecossistema de inovação da empresa. O início da eletrificação da Stellantis no Brasil faz parte do plano estratégico global do grupo, o Dare Forward 2030.

Até 2030, o plano prevê uma redução nas emissões em 50% e avançar na descarbonização de processos e produtos da empresa até 2038. A tecnologia Bio-Hybrid teve seu desenvolvimento iniciado em 2022, com a criação do Bio-Electro, uma plataforma destinada para acelerar tecnologias de motopropulsão baseadas na hibridização, combinando eficiência térmica e eletrificação. A tecnologia é baseada em três pilares: Academy: abrange informação, formação e recrutamento; Lab: incubação de ideias e desenvolvimento de ecossistema e; Tech: materialização de soluções e da inovação. O Bio-Hybrid se sustenta no pilar Tech como uma expressão estratégica de desenvolvimento da Stellantis na América do Sul.

“O Bio-Hybrid é uma tecnologia de descarbonização da mobilidade, que privilegia as características e recursos do Brasil, como o etanol e a energia elétrica limpa. Nasceu de nossa plataforma Bio-Electro, que é um esforço de nacionalização de tecnologias. Nossa prioridade é descarbonizar a mobilidade, mas queremos fazer isto de modo acessível para o maior número de consumidores e desenvolvendo tecnologias e componentes no Brasil”, adicionou Filosa na época. No país, o grupo vai apostar mais em tecnologias híbridas e elétricas. “É uma oportunidade de reindustrialização e de reconfiguração da indústria nacional de autopeças, que é diversificada, complexa e muito importante para a economia brasileira”, adicionou.



Os modelos com o sistema Bio-Hybrid vão trazer aplicação flexível e podem equipar vários modelos produzidos pela Stellantis, nas fábricas de Betim (MG), Porto Real (RJ) e Goiana (PE) no Brasil, além de El Palomar, na Argentina. Isso indica que basicamente todos os modelos produzidos na região podem se transformar em modelos eletrificados leves. A Stellantis também confirmou que existirá quatro novidades da tecnologia. O primeiro e mais simples é o Bio-Hybrid, mas a Stellantis também confirmou o Bio-Hybrid e-DCT, Bio-Hybrid Plug-in e BEV (elétrico), indicando que o grupo pode apostar em modelos híbridos-leve, híbrido, híbrido plug-in e elétricos.

“São plataformas baseadas em tecnologias diferentes, que apresentam distintos graus de combinação térmica e da eletricidade na propulsão do veículo. Cada uma destas tecnologias tem sua aplicação e, juntas, atendem a todas as faixas de consumidores, tornando acessíveis os sistemas híbridos baseados na combinação da propulsão térmica flex com a eletricidade”, explicou Marcio Tonani, na época atuando como Vice-Presidente do Tech Center da Stellantis na América do Sul. A tecnologia Bio-Hybrid funciona como um novo dispositivo elétrico multifuncional, que substitui o alternador e o motor de partida. O equipamento é capaz de fornecer energia mecânica e elétrica, gerando torque adicional para o motor térmico.

Ao mesmo tempo, ele gera energia elétrica para carregar a bateria adicional de lítio-íon de 12V, que opera paralelamente ao sistema elétrico convencional do veículo. O sistema gera potência de até 3kW, garantindo melhor performance ao automóvel e redução de consumo de combustível – ou seja, uma potência de 4cv. Já o sistema Bio-Hybrid e-DCT conta com dois motores elétricos. O primeiro deles substitui o alternador e o motor de partida. O segundo motor elétrico é maior e é acoplado à transmissão de dupla embreagem. A bateria é de lítio-íon de 48V, dando suporte ao sistema e alimentada pelos dispositivos.

A gestão eletrônica controla a operação entre os modos térmico, elétrico ou híbrido, otimizando eficiência e economia. Já o Bio-Hybrid Plug-in conta com bateria de lítio-íon de 380V, que é recarregada por meio de sistema de regeneração nas desacelerações, alimentada pelo motor térmico do carro ou por meio de uma recarga externa (plug-in). A arquitetura do carro conta com um motor elétrico que entrega potência diretamente para as rodas do carro, com o sistema que gerencia operação entre o modo térmico, modo elétrico ou híbrido, otimizando a economia de energia.



Por fim, o BEV é todo movido por meio de um motor elétrico e com uma bateria de alta tensão alimentada externamente, de 400V. Os veículos com essa tecnologia ainda podem trazer um sistema de regeneração ou através de plug-in. A arquitetura oferece torque instantâneo, com acelerações rápidas e responsivas. O sistema possui sonoridade customizável e conta com desempenho, mesmo a baixas velocidades. A Stellantis também explicou que entende que a propulsão elétrica como tendência dominante no setor automotivo do futuro deve contribuir também para novidades na América do Sul.

“Devido à sua matriz energética, o Brasil tem a oportunidade de fazer uma transição mais planejada e menos onerosa, aproveitando-se da gradual redução dos custos decorrentes da massificação da tecnologia”, explica João Irineu, Vice-Presidente de Assuntos Regulatórios da Stellantis para América do Sul. O tempo decorrente dessa estratégia de transição pode ser utilizado no amadurecimento do processo de reindustrialização de segmentos da cadeia produtiva nacional, altamente diversificado na produção dos itens mecânicos demandados pelos veículos térmicos. Por outro lado, a eletrificação traz uma demanda totalmente nova de componentes, sobretudo de sistemas elétricos de propulsão e eletrônicos de controle, atualmente produzidos fora do país. “A nacionalização dessa tecnologia é um desafio e também é uma oportunidade para a indústria nacional.”, disse Irineu.

A estratégia nacional será apostar essas tecnologias com motores que bebem etanol, ou seja, estamos falando de motores flex no caso dos híbridos. O uso de etanol, como um combustível renovável, diminui ainda mais as emissões de poluentes. A aposta é tornar os carros híbridos flex como uma aposta para a descarbonização no país, com uma redução de 60% na quantidade de CO2 emitido quando comparado ao uso da gasolina. “Hoje a tecnologia flex fuel está presente em cerca de 80% a frota brasileira de veículos leves. A combinação do etanol com a eletrificação em propulsão híbrida é uma alternativa adequada de transição, pois permitirá o acesso de faixas maiores do mercado consumidor a tecnologias de baixa emissão”, explica Irineu.



No evento de apresentação da tecnologia Bio-Hybrid, a Stellantis inclusive revelou um motor movido exclusivamente com etanol com a tecnologia. Recentemente, a Stellantis também simulou um teste dinâmico com um veículo quando alimentado com quatro fontes distintas de energia, a fim de mensurar a emissão total de CO2 em cada situação. O automóvel foi abastecido com etanol e comparado em tempo real com a mesma situação de rodagem em três alternativas simuladas: com gasolina tipo C (E27); 100% elétrico (BEV), abastecido na matriz energética brasileira, e 100% elétrico (BEV) abastecido na matriz energética europeia.

A comparação considerou não apenas a emissão de CO2 associada à propulsão do veículo durante o uso, mas também as variáveis que incluem as emissões correspondentes à produção do combustível ou geração da energia utilizada. A propulsão a etanol emitiu 18% menos CO2 do que um veículo elétrico abastecido com energia europeia, devido à sua geração baseada em fontes fósseis. Na comparação com gasolina, a redução das emissões é superior a 60%. O Brasil também se beneficia por ter uma matriz energética em sua grande maioria, renovável, o que torna ainda mais eficiente.

“Não se trata, portanto, de contrapor descarbonização e eletrificação. A descarbonização é o resultado desejado e necessário da reinvenção da mobilidade já em curso, enquanto a eletrificação é um dos caminhos para se alcançar a descarbonização da propulsão. O uso do etanol combinado com eletrificação é o caminho mais rápido e viável do ponto de vista social, econômico e ambiental para uma crescente eletrificação da frota brasileira”, conclui João Irineu, reforçando o compromisso da Stellantis com a descarbonização na região. A Stellantis não confirmou, na época, quais os primeiros modelos que usariam esse sistema.






Fotos: Stellantis / divulgação

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