CAuto #74: Em quatro anos, Volkswagen Golf foi do céu ao inferno. Foi culpa dos SUVs?


Lançado em setembro de 2014, a sétima geração do Volkswagen Golf chegou com a áurea de ser o melhor hatch médio do Brasil. Importado da Alemanha, o hatch chegou bastante competitivo mesmo com o Inovar-Auto. Seus preços partiam de R$67.990 na versão Highline e o pacote Standard de equipamentos, podendo chegar a R$92.990 com o pacote Premium. Já o GTI tinha preço inicial de R$94.990 e chegava a R$125.990 com o pacote Premium. Não teve outra. O Golf se tornou um sucesso de vendas para um segmento que já estava se escondendo no mercado. Chegou ao seu ápice em 2.047 unidades em dezembro de 2013, quando circula as propagandas do "The Very Best", como a Volkswagen o chamada. Com o sucesso de vendas, a Volkswagen então confirmou a produção nacional, que seria em São José dos Pinhais (PR), que se tornaria o primeiro automóvel a ser produzido com a plataforma modular MQB no país. Depois de um ano vindo da Alemanha, o Golf passou a ser mexicano no final de 2014. Na época teve alguns downsizing que fizeram o hatch perdeu freio de estacionamento eletrônico, acompanhado do sistema de assistência Auto Hold, que impede o carro, quando freado até parar, se movimente ainda que o motorista tire o pedal do freio. Com freio de mão tradicional, o Golf mexicano terá o sistema que evita que o carro "rode" enquanto o motorista tenta sair de uma rampa. A mudança do modelo alemão pelo mexicano não teve alterações nos preços. Nessa época o Golf era vendido entre R$69.510 no Comfortline, R$75.830 no Highline e R$102.680 no GTI, sem contar os opcionais. Já no final de 2015 e início de 2016 começou a ser produzido na fábrica de São José dos Pinhais (PR), graças a um investimento de R$520 milhões. Ele foi lançado em fevereiro de 2016 com mudanças no lineup. Saiu de cena o Comfortline 1.4 para abrir espaço para o Comfortline com o anêmico 1.6 16v MSI. Os preços começavam em R$74.510 no Comfortline 1.6, R$91.290 no Highline 1.4 e R$117.690 no GTI, sem opcionais. Era o começo da derrocada do Golf no mercado.


Desde a perda de itens do mexicano até o modelo brasileiro estrear, o hatch já sentia que o mercado já olhava com o Golf com outros olhos e começou a ver as possibilidades de modelos da moda, como os SUVs Compactos. No segundo semestre de 2016 a Volkswagen fez uma confusão ao lançar o 1.0 TSI para o Golf, que se sobreponha ao 1.6 na época. Moderno, o motor TSI fazia o MSI passar vergonha, mas era oferecido por R$77.990 numa faixa de preços que clama por automáticos, a VW o trouxe como manual apenas. Além disso, só o Highline traz o motor 1.4 TSI e o GTI acabou ficando ainda mais caro. Nas últimas semanas, a VW confirmou o fim de linha do motor 1.6 MSI no Golf depois de um ano e meio no mercado e acertou em deixar o 1.0 TSI como opção de entrada, mas foi burra ao manter um buraco enorme entre o 1.0 Comfortline e o 1.4 Highline superior a R$20.000. A volta do Comfortline 1.4 e quem sabe um 1.0 Trendline ajudariam a reforçar as vendas do hatch médio, que sempre foi querido pelo consumidor mas após tantos erros estratégicos, acabou se afastando do modelo. Sem falar nos sequentes reajustes de preço que fizeram com que o hatch não fosse mais atraente a um segmento como os utilitários compactos que, querendo ou não, seu sucesso é uma realidade. A queda do Golf em quatro anos se dá por esses dois fatores: mudanças contantes de pacote, de nacionalidade e de erros estratégicos e a crescente demanda por SUVs. Foi-se o tempo que hatchs médios poderiam ser caros o suficiente que ainda assim, vendiam. Isso era em meados dos anos 2000. Hoje a realidade é diferente. Se a Volkswagen quer manter o Golf com respeito, mudanças no lineup são necessárias. Uma versão Trendline com motor 1.0 como opção de acesso e a volta da versão Comfortline com motor 1.4 talvez ajudassem a fazer o consumidor olhar para o Golf como o consumidor vê hoje o Chevrolet Cruze Sport6, líder do segmento. Entre janeiro e fevereiro de 2018 a Volkswagen deve apresentar o face-lift do Golf, que deve trazer mudanças de meia-vida no design externo e interno, além do câmbio automático para o motor 1.0. Medidas pequenas, mas que já se fazem importantes, depois de tantos tropeços. Que vacilo, VW!


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