GTN #3: os novos japoneses e coreanos, serão os carros chineses?


Você já deve ter percebido que os carros chineses têm evoluído muito em questão de menos de dez anos. Pegando um cenário dos últimos dez anos, de 2011 para cá, a mudança é notável. Enquanto os japoneses demoraram cerca de 20 anos para conseguir desenvolver seus produtos, os coreanos levaram cerca de 15 anos para ter produtos mais maduros, os chineses estão conseguindo diminuir ainda mais essa média de anos para cerca de 10, apenas. No Brasil, assim como em outros países, principalmente alguns vizinhos da América Latina, como o Uruguai (grande consumidor de carros chineses), as primeiras unidades de carros chineses não opções vistas com bons olhos.

 

 

De acordo muito com o nosso padrão, pontos como suspensão macia e o acabamento de alguns carros em bege ou tons mais claros, afastavam alguns consumidores. Mas, vejamos o cenário das duas marcas chinesas mais importantes do Brasil: Chery e JAC. Se formos pegar como a Chery era em 2011, você poderá se assustar. Nós tínhamos: QQ, S-18, Face, Cielo, Cielo Sedan e Tiggo. Hoje, o lineup da marca conta com Arrizo5, Arrizo6, Tiggo2, Tiggo5X, Tiggo7 e Tiggo8. Ainda são seis modelos em oferta, mas são seis modelos que mudaram da água para o vinho, em termos de ajustes, design, segurança, acabamento, mecânica, equipamentos e conectividade. A CAOA é um grande colaborador para o desenvolvimento e expansão da Chery no Brasil – e isso é uma verdade. A Chery contava com uma presença tímida e parecia perdida no mercado antes de 2017.

 

 

Por outro lado, a JAC já chegou ao país com uma visão de anos do Grupo SHC, liderado por Sérgio Habib. A marca trazia, ao nosso mercado, modelos mais ajustados ao nosso padrão habitual, com acabamento escuro, acerto dinâmico mais acertado, assim como apostou na audácia de ter 50 concessionárias que inauguraram no mesmo dia, o que foi chamado de “Dia J”, convocou Fausto Silva para ser o garoto propaganda da marca e em alguns (vários) domingos à tarde, o carro contava com uma participação em um dos programas mais vistos da TV naquele dia/horário. O sucesso foi bem mais certeiro. A JAC, que teve seu primeiro mês cheio de vendas apenas em abril, fechou 2011 com mais de 38 mil automóveis.



Naquele ano, a marca oferecia J3, J3 Turin e J6. Hoje, a JAC aposta em modelos como o T40, T50, T60, V260 e uma linha bem completa de carros elétricos, como o iEV20, iEV40, iEV60, iEV330P e o iEV1200T, sendo esses dois últimos, modelos inéditos em suas categorias. Atualmente, a JAC conta com cinco carros elétricos no mercado, sendo a única do país a oferecer essa quantidade de modelos. Falando em elétricos, é de lá que vem a BYD. A marca chegou ao Brasil em 2015 apostando apenas em carros elétricos, focando num primeiro momento para a venda direta no país, para pessoa jurídica. Apesar disso, a marca vem crescendo aos poucos no nosso mercado e isso pode permitir que, dentro de alguns anos, possa ampliar suas vendas para pessoas físicas.



A China, em especial as marcas chinesas, veem no Brasil um mercado com muito potencial. Desde a chegada da Changan no nosso mercado (ex-Chana), em 2007, o país já chamou a atenção de dez outras marcas chinesas que nunca atuaram no Brasil. Dongfeng, Brilliance, Haima, Great Wall, Changhe, Jonway, Landwind, Shuanghuan, Haval e, por fim, a Zotye, foram algumas dessas marcas que tentaram chegar ao nosso mercado – mas o fizeram, seja pela ceifada do Inovar-Auto ou pela crise interna que o país passou nos últimos anos.

 

 

Mesmo assim, o Brasil constantemente recebe interesse de outras marcas chinesas. A Keyton deve começar a vender carros elétricos no nosso mercado, enquanto há chance de o Brasil ter a Changan novamente. Por aqui, as atuais marcas chinesas têm evoluído muito. Mas... e lá fora? A China, sendo o principal consumidor de carros elétricos, tem se voltado principalmente para o desenvolvimento de produtos que usem essa motorização. Marcas como Nio, Xpeng, GAC e outras tem apostado 100% em carros elétricos – e tem causado interesse em todo o mundo, assim como tem ganhado espaço principalmente na Europa.




Mas então, porque os chineses ainda estão “apáticos” no Brasil. Atualmente, apenas a Chery possui uma fabricação nacional, nas unidades de Jacareí (SP) e Anápolis (GO). Enquanto o nosso mercado de carros importados tenta sobreviver com um Dólar a mais de R$5,50, é impossível pedir sucesso comercial. Além disso, o Brasil percebeu a saída de marcas como Hafei, Jinbei, Geely, Changan, Rely, Shineray – seja por conta da ideia maluca do Inovar-Auto de taxar os importados ou pela queda do mercado, pontos já destacados no texto. Além disso, vemos que a Lifan parece estar congelada por conta de problemas financeiros e há alguns meses não temos mais notícias sobre a marca. Já a Foton vende apenas VUC e caminhões leves no Brasil, tendo uma participação pequena de mercado, mas ainda assim que evolui a cada ano, demonstrando a expansão da marca no nosso mercado.


 

Mesmo assim, o Brasil pode ganhar novas marcas chinesas dentro de alguns anos. O interesse da Keyton e o curioso perfil da Changan no Instagram nos faz pensar que o Brasil não deixou de ser importante. Desde 2007, já foram vendidos mais de 315 mil unidades de chineses no nosso mercado. O crescimento da Chery deve ajudar esse número a crescer, enquanto a JAC tenta se reerguer em nosso mercado com um lineup de modelos importados e que deixam os preços dos carros da marca quase no mesmo patamar dos modelos nacionais – mesmo oferecendo bem mais equipamentos. Nos próximos anos, os chineses têm tudo para se tornarem mais interessantes ao consumidor. É basicamente a mesma barreira que os consumidores de marcas norte-americanas e europeias tiveram com os carros japoneses na década de 1970 e 1980 e o que os coreanos enfrentaram na década de 1990 e início dos anos 2000. Bom, com os chineses, apenas o tempo dirá. Mas o mesmo raio já caiu duas vezes no mesmo lugar. Uma terceira vez não é impossível. E a tormenta vem por aí...

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