Retrômobilismo#50: O quarentão mais querido do Brasil! Volkswagen Passat é a revolução da água!


Lançado em Setembro de 1974, o Passat se tornou o carro mais moderno do nosso mercado na época. Enquanto a maioria de seus irmãos usava motor a ar, o Passat inovava a ter motor refrigerado a água. Primeiramente o Passat foi oferecido apenas na configuração 2 portas e nas versões: L e LS. Com a tendência dos anos 70 de vir com linhas retas, o Passat logo se tornou um sucesso pelo seu belo visual. Na época o Passat foi muito criticado por ser um carro diferente, com motor dianteiro e refrigerado a água. Mas o Passat acabou "não ouvindo" as críticas e logo se tornou um sucesso de vendas como Fusca e Brasília. Em seu lançamento para as concessionárias no Rio de Janeiro em 1974, uma forte tempestade caiu sobre a cidade carioca e muitos concessionários e mecânicos da Volkswagen chamaram o Passat de "anti-Volkswagen". Na verdade, o Passat foi um carro "odiado" pelos concessionários e pelos mecânicos porque tinha praticamente tudo novo. Motor, suspensão e transmissão eram novos.


O motor dianteiro longitudinal, de 4 cilindros inclinados em linha e tinha comando de válvulas no cabeçote. O motor 1.5 rendia 65cv líquidos tinha ótima estabilidade e dirigibilidade, tinha câmbio manual de 4 velocidades. Ia de 0 à 100km/h em 17 segundos com velocidade máxima de 150km/h. Assim como o moderno Alfa Romeo 2300, tinha coluna de direção deformável, que diminuía o impacto em caso de colisão. O radiador era instalado à esquerda do motor, o que exigia ventilador acionado por motor elétrico, outra novidade em carros nacionais, bem como os freios traziam como novidade, duplo circuito atuando na diagonal, outra novidade no nosso mercado. Porém não trazia servo-freio, e era preciso um certo esforço para acionar os freios, o que foi muito reclamado pelos donos, e a Volkswagen acabou colocando em todas as versões em 1974. Também foi disponibilizado nas revendas para comprar e colocar nos modelos 73. A suspensão era do tipo McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira.


A carroceria com 5 portas era lançada em 1975 e trazia visual diferente mas que não deixava o Passat feio. Porém como a preferência nacional do mercado era para modelos com 2 portas, não fez tanto sucesso. Tinha os mesmos 4,18m de comprimento, mudando apenas as colunas traseiras. Em 1976 chegava a versão esportiva TS que se tornaria um clássico dentro da história do Passat. Tinha faróis duplos, uma faixa preta que estava em toda lateral do Passat e tinha a inscrição "TS" que significava Touring Sport. Entre as novidades no interior estavam conta-giros e volante esportivo. Também tinha manômetro de óleo, voltímetro e relógio analógico. Tinha bancos reclináveis, com encosto de cabeça. Mas a principal diferença estava no motor, que era um 1.6 que rendia 80cv de potência que arrancou sorrisos de muitos consumidores, tornou-se referência e fez muito sucesso. Com esse motor ia de 0 à 100km/h em 14 segundos com velocidade máxima de 160km/h. O TS trazia carburador duplo Solex importado da Alemanha, tinha coletor duplo de escapamento que conduzia os gases queimados em dois tubos até quase o meio do carro. Ele fazia 12km/l, sendo um esportivo bem econômico.


Em 1978 ganhava a versão LSE que vinha com o mesmos faróis duplos do Passat TS, tinha 4 portas e trazia bons itens de série como ar-condicionado, algo raro na época. Andava menos por ser mais pesado por ter mais equipamentos de série, mas atendeu muito bem os consumidores da época. Tinha encosto de cabeça traseiro, bancos com revestimento mais refinado e apoio de braço central no banco traseiro. A suspensão também era voltada para o conforto nessa versão LSE, mas sem comprometer a estabilidade. No mesmo ano o Passat enfrentava dificuldades em engates de marcha, o que foi rapidamente sanado pela Volkswagen que tornou o Passat novamente um carro ótimo em seu segmento. Ainda em 1978 a Volkswagen lançava a opção de rebater o banco traseiro, que permitia a entrada de amplas bagagens ou objetos maiores, pois já tinha uma ampla tampa do porta-malas, a função lançada pela Volkswagen facilitou e muito a vida do Passat. Em 1979 chegava a primeira mudança visual do Passat, que ganhava novos faróis retangulares, nova grade com friso cromado horizontal, novo para-choque dianteiro e traseiro. As lanternas deixavam de ser vermelhas para ter uma coloração para cada função, exceto a luz de ré.


Na versão TS, a mudança ficava por conta da faixa preta lateral que ficava logo abaixo dos vidros e era bem mais discreta que a do primeiro Passat. Em 1979 ganhava a versão Surf que tinha acabamento despojado, sem calotas, sem frisos cromados, mas tinha como apelo o público jovem e trazia para esta versão, cores vibrantes. Vinha com o mesmo motor 1.5. Em 1980 chegava a opção de motor movido à álcool, primeiramente com o motor 1.5 e logo depois chegava a versão 1.6. Ficava esperto e tinha velocidade final maior e estava mais arisco em ciclo urbano. Com uma das maiores novidades dos anos 80, a Chevrolet lançava o Monza que começou a incomodar e muito as vendas do Passat que começou a sentir o peso da idade. Com isso a Volkswagen se mexeu rápido e trouxe mais novidades no visual do médio, as últimas antes de sair de cena. A Volkswagen mexia novamente na dianteira com novos faróis duplos e retangulares, novos para-choques dianteiro e traseiro, nova grade mais fina, luzes de direção no para-choque dianteiro e refletores na extremidades dos faróis.


Para rivalizar com o Chevrolet Monza, a Volkswagen colocava motor 1.8 na versão esportiva GTS, que substituía a TS que rendia 85cv de potência líquida com gasolina e rendia 92cv com álcool. Saía de cena o motor 1.5 e todas as versões ganhavam o motor 1.6, que perdeu um pouco de originalidade de cada versão. Ganhava a versão de luxo GLS nessa mesma mudança. Em 1984 a Volkswagen arrumava a salada de frutas que as versões do Passat eram e com isso eram renomeadas. A verão básica agora era a Special, seguida pela LS Village, LSE Paddock e a famosa GTS Pointer, que deixavam tristes os donos do TS, já que a versão não era mais oferecida. Por outro lado o GTS Pointer agradou muito por aliar conforto, agilidade e confiabilidade e a impecável estabilidade do Passat Pointer. Essa versão GTS trazia rodas de aro 14, para-brisa com faixa degradê, encosto de cabeça para 4 ocupantes e descansa-braço no banco traseiro. Além disso tinha bancos dianteiros Recaro com regulagem de altura. Opcionalmente poderia ser equipado com  teto solar.


Ficou famoso também o volante "quadro bolas" em função as 4 partes da buzina no volante que já estava na versão esportiva do Gol e vinha do Golf alemão. Em Novembro de 1984 chegava a versão Plus, uma versão mais simples da GTS Pointer que vinha com o mesmo motor 1.8. Em 1985, o Passat ganhava novos retoques na visual ao apresentar novos pára-choques envolventes com plástico injetado, lanternas traseiras frisadas e painel totalmente novo e muito mais elegante, inspirado no do Santana, que incluía termômetro de óleo no console do GTS Pointer. Além disso ganhava câmbio manual de 5 velocidades em todas as versões e dava um fim à versão de 4 portas que nunca foi um sucesso. Em 1986 o Passat ganhava motor 1.6 AP e 1.8 AP. Com isso o motor 1.8 rendia 99cv de potência e melhorava seu desempenho. Ia de 0 à 100km/h em 11 segundos com velocidade máxima de 175km/h.


Mas as vendas do Passat não animavam mais. Com o crescimento da famíla Gol e novos rivais mais modernos como Chevrolet Monza Hatch, Ford Corcel II e Ford Del Rëy entre outras novidades dos anos 80. Em Junho de 1986, um excedente de versões LSE destinadas ao Iraque foi oferecido ao mercado nacional. Apesar de possuir características diferentes do gosto brasileiro dos anos 80, como o estofamento vermelho na maioria das unidades e 4 portas, a aceitação pelo modelo foi muito boa, pois ele contava com itens de conforto como bancos Recaro e ar-condicionado de série, por um bom preço. Sem divulgação, ficando em uma parte mais "escura" das concessionárias da Volkswagen, o Passat acabou saindo de linha em 2 de Dezembro de 1988 após comercializar 676.819 unidades no Brasil, além de 221.010 unidades exportadas, a maioria para a América do Sul e para o Iraque, totalizando 897.829 unidades produzidas. Voltaria ao nosso mercado em 1994 como "Passat alemão" e totalmente diferente. E como entre ambos existe um abismo, preferimos deixar o Passat "Alemão" para depois. Nesse mês o Volkswagen Passat faz aniversário de 40 anos no Brasil.


Fonte: Best Cars - Passat

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