Antes de começar a produção em Camaçari, BYD cotava montar Dolphin e Song Plus na Bahia
Antes de começar a produzir em Camaçari (BA), BYD cotava iniciar a produção de outros eletrificados, como Dolphin e Song Plus, que nunca foram montados aqui
É inegável que a BYD se tornou uma potência no mercado
brasileiro em questão de poucos anos. Ainda surpreende analisar que faz apenas
quatro anos que a empresa chinesa começou a vender carros a pessoas físicas no
Brasil, depois de alguns anos vendendo apenas para empresa (as famosas vendas
jurídicas). Ao adquirir a fábrica de Camaçari (BA) da Ford, a BYD anunciou um
plano com a linha de produção de automóveis, ônibus e caminhões eletrificados.
Mas em meados de 2023, os cotados não eram os carros que são montados hoje.
Fruto de um investimento de R$ 3 bilhões, a fábrica é a primeira
da marca fora da Ásia a começar a operar, apesar de já ter outras fábricas
confirmadas. Aqui na Bahia, foi confirmado que a marca teria uma capacidade de
produção anual de 150.000 unidades, podendo chegar a 300.000 unidades em um
segundo momento. Em agosto de 2023, os mais cotados a serem nacionalizados no Brasil
eram o Dolphin GS EV e o Song Plus DM-i, segundo o site Mobiauto e o Jornal do Carro. No caso do hatch, ele tinha sido lançado
um mês antes no mercado e entrou no radar da linha de produção especialmente
pelo bom volume de vendas que o hatch teve desde o seu lançamento.
O Song Plus também estaria nesse radar justamente pelo bom desempenho comercial dele na época – que também se manteve até hoje. Além de abastecer o mercado interno, a fábrica de Camaçari será responsável por abastecer mercados da América Latina. Os carros feitos pelo Brasil vão ajudar a BYD na parte logística do envio de unidades aos países vizinhos, ao mesmo tempo que, na época, a marca confirmava que buscava ser ‘mais brasileira’. Para isso, confirmou o desenvolvimento do motor Flex para seus carros híbridos plug-in.
Para isso, a BYD confirmou a construção de um Centro de Pesquisa & Desenvolvimento que será o responsável por desenvolver os motores Flex. Na época, em 2023, teria sido dito que a produção da BYD na Bahia começaria já em 2024, ou seja, em questão de poucos meses. Isso porque a produção inicia com um regime bem mais simples, com operação Semi Knocked Down (SKD), ou seja, os carros viriam parcialmente desmontados da China com módulos ou subconjuntos pré-montados, exigindo apenas a finalização, o acoplamento de peças finais e os ajustes de acabamento.
Basicamente seria o mesmo tipo de produção que a Audi faz em São José dos Pinhais (PR) e a Land Rover faz em Itatiaia (RJ). Esse tipo de produção nacional é ainda mais simples que o regime Completely Knocked Down (CKD), que é um sistema em que um produto chega ao país totalmente desmontado com suas peças para ser montado no local. Mas a BYD não quer produzir apenas nesse regime SKD, que será a primeira fase da linha de produção. Em um segundo momento, a chinesa já confirmou que vai trabalhar para que a linha de produção seja completa no país.
Isso inclui uma linha de produção com robôs, uma área de pintura e o contato com fornecedores locais para aumentar a margem nacional dos produtos. Isso inclui uma mão de obra com sistemas elétricos, suspensão, freios e tração dos carros, disse a revista Quatro Rodas. Mesmo na produção plena dos carros em solo brasileiro, nessa segunda fase, alguns componentes ainda virão importados por conta da falta de fornecedores com produção local. Um exemplo disso são as baterias Blade, da BYD. A marca esperava que a produção plena começasse com cerca de 25% de nacionalização dos componentes. E Dolphin e Song Plus nacionais? Foram passados para trás, ao menos, por enquanto.
Fotos: BYD / divulgação



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